Os investimentos de pessoas físicas no Brasil cresceram 6,4% no primeiro semestre de 2026, atingindo R$ 9,1 trilhões, revelam dados da Anbima (Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais) divulgados nesta quinta-feira (3).
O avanço foi impulsionado principalmente por títulos públicos e CDBs (Certificados de Depósito Bancário), que cresceram 32,9% e 8,5%, respectivamente. Em valores, a alta corresponde a R$ 86,6 bilhões em títulos públicos e R$ 113,1 bilhões em CDBs no período.
O movimento acompanha o patamar elevado da taxa básica de juros, a Selic, hoje em 14% ao ano. Com juros altos, as aplicações de renda fixa tendem a ganhar atratividade entre os investidores.
Parte dos produtos dessa classe acompanha a Selic ou o CDI, taxa de referência para operações no mercado privado, e apresenta menor nível de risco. É o caso do Tesouro Selic e dos CDBs pós-fixados, que podem ser utilizados por investidores mais conservadores e para a formação de reservas de emergência.
A previsão de economistas consultados pelo Boletim Focus na última segunda-feira (1º) é de que a taxa termine 2026 em 13,75% ao ano. O patamar ainda elevado deve manter a atratividade da renda fixa e limitar a concorrência com investimentos de renda variável, como ações.
Não à toa, a renda fixa representou 60% do volume total investido no período, o equivalente a R$ 5,5 trilhões.
A renda variável também cresceu no primeiro semestre, mas em ritmo menor. O volume total avançou 2%, para R$ 1,13 trilhão, incluindo a compra de ações e a exposição a fundos de ações. A compra de ações por pessoas físicas atingiu R$ 816,9 bilhões, alta de 1,2%.
No período, a Bolsa brasileira chegou a se aproximar da marca de 200 mil pontos. O movimento foi impulsionado pela alta do setor de commodities brasileiro, beneficiado pela valorização internacional dos preços do petróleo com a guerra no Irã, além da diversificação de investidores institucionais para mercados emergentes.
No ano, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, acumula alta de cerca de 15%. Nesta quarta-feira, fechou em alta de 3,05%, aos 185.205 pontos.
Além dos demais ativos, o levantamento da Anbima destaca o desempenho dos ETFs (Exchange Traded Funds, ou fundos de índice), que cresceram 38,8% no período, para R$ 25,4 bilhões, liderando a expansão entre as categorias de fundos.
O resultado reforça o avanço dos ETFs entre os investidores brasileiros. Dados da B3 já haviam revelado que os ETFs foram o produto de renda variável que mais avançou entre os brasileiros em 2025, com alta de 24% em relação ao ano anterior.
REGIÃO SUDESTE CONCENTRA VOLUME DE INVESTIMENTOS
No primeiro semestre de 2026, os investidores pessoas físicas do Sudeste concentraram R$ 6,06 trilhões em investimentos, o equivalente a 66,3% do volume financeiro do mercado nacional. A região foi seguida pelo Sul, com R$ 1,55 trilhão (17%), pelo Nordeste, com R$ 860,6 bilhões (9,4%), pelo Centro-Oeste, com R$ 492,8 bilhões (5,4%), e pelo Norte, com R$ 171,5 bilhões (1,9%).
O Sudeste, entretanto, registrou o menor crescimento proporcional no semestre, de 5,6%. O avanço foi de 6,9% no Sul, 8,9% no Nordeste, 9,5% no Centro-Oeste e 10,2% no Norte, que teve a maior expansão no período.