Uma eventual mudança da escala 6×1 para o modelo 5×2 pode elevar em cerca de 15% os custos da Havan com mão de obra, segundo o empresário Luciano Hang, dono da rede. Ele afirma que a empresa precisaria contratar mais trabalhadores para manter a operação.
Hang fez as declarações durante as boas-vindas aos funcionários da 196ª loja da Havan, inaugurada neste sábado (29), em Caldas Novas (GO). A rede se aproxima de 25 mil funcionários e projeta faturamento de R$ 22 bilhões neste ano.
Para o empresário, o aumento das despesas também teria impacto sobre os preços dos produtos. Hang classificou a proposta como “medida eleitoreira” e afirmou que os defensores da mudança buscam votos.
“Querem enganar você com o fim da escala 6×1”, afirmou Hang. “Eles querem o voto de vocês em outubro.”
Hang relaciona escala 5×2 a preços maiores e menor poder de compra
O empresário defende que o próprio trabalhador escolha quanto deseja trabalhar. Para sustentar a posição, ele argumentou que uma jornada menor poderia reduzir o poder de compra caso os preços subissem.
“Ah mas eu vou trabalhar 5×2 e ganhar a mesma coisa. Ok. Mas se você ganha a mesma coisa e os produtos vão subir entre 10% e 15%, vocês vão ter poder de compra menor”, apontou o empresário.
Hang questiona o impacto da mudança no bolso do trabalhador. “Então sabe o que vocês vão ter que fazer já que não poderão trabalhar mais do que cinco dias aqui na Havan? Vão arranjar um subemprego. Ou seja, vão ter que trabalhar mais para comprar o que estão comprando hoje. Isso é estelionato eleitoral”, disse o empresário.
Senado se prepara para votar PEC criticada por Hang
Não é a primeira vez que Hang critica o possível fim da escala 6×1. Em novembro de 2024, ele classificou a iniciativa como “populismo”. Em maio deste ano, o empresário voltou a criticar a proposta.
“O fim da escala 6×1 é um retrocesso para o Brasil. O brasileiro não quer trabalhar menos. O brasileiro quer ganhar mais, crescer na vida e dar uma condição melhor para a família”, afirmou.
A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que pretende substituir a escala 6×1 pela jornada com dois dias de descanso, no modelo 5×2, tem votação prevista na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado Federal nesta semana.
A expectativa é de análise principal na quarta-feira (2). Para ser aprovada no Senado, a PEC precisa do apoio de três quintos dos senadores, o equivalente a 49 votos, em dois turnos de votação. As duas análises devem ter intervalo de cinco dias úteis.