Meio de campo: a grande batalha entre França e Marrocos

França e Marrocos, que se enfrentam na quinta-feira (9) pelas quartas de final da Copa do Mundo, em Foxborough, perto de Boston, vão precisar vencer a batalha no meio de campo para conquistar uma vaga nas semifinais, embora adotem estilos opostos.

Nesse setor da seleção francesa, Adrien Rabiot e Aurélien Tchouaméni (se estiver em condições de jogo) ou Manu Koné (caso Tchouaméni não esteja disponível) desempenham um papel discreto, porém essencial, que propicia o brilho do quarteto ofensivo escalado por Didier Deschamps, um ataque que vem encantando desde o início do torneio.

Para os ‘Leões do Atlas’, há muito mais liberdade em campo, o que permite aos meio-campistas assumir o protagonismo no esquema tático do técnico Mohamed Ouahbi.

Um meio-campo batalhador nos ‘Bleus’

A dois dias do reencontro entre franceses e marroquinos, três anos e meio após a semifinal da Copa do Mundo do Catar vencida por 2 a 0 pelos ‘Bleus’, Didier Deschamps tem uma pequena dor de cabeça.

Enquanto seus jogadores, impulsionados pelo ataque avassalador e apontados como favoritos ao título, se preparam para enfrentar seu primeiro grande teste rumo à conquista da terceira estrela, o técnico da França não sabe se poderá contar com Tchouaméni.

O meio-campista trata uma lesão no músculo adutor da coxa e trava uma corrida contra o tempo para se recuperar desde a véspera da partida das oitavas de final contra o Paraguai (1 a 0).

O jogador do Real Madrid, vice-capitão pela seleção francesa em 2022, é também a peça-chave para o equilíbrio delicado do sistema assumidamente ofensivo desenhado pela comissão técnica.

Ele forma uma dupla de volantes altamente complementar ao lado de Rabiot: Tchouaméni fica encarregado da cobertura defensiva para evitar que a equipe fique exposta em caso de perda da posse de bola, enquanto Rabiot tem liberdade para avançar mais.

No entanto, na segunda-feira, Guy Stéphan mostrou pouco otimismo quanto à disponibilidade de Tchouaméni para a partida de quinta-feira.

“Vamos acompanhar a cada dia a evolução da lesão para ver se ele fica curado ou não. É verdade que estamos com o tempo apertado”, reconheceu o auxiliar de Deschamps.

Assim como ocorreu contra o Paraguai, caso o meio-campista do Real Madrid não possa jogar, Manu Koné assumirá a vaga. Seu estilo, mais ofensivo, aumenta o risco de contra-ataques, uma tática na qual os marroquinos são especialistas.

E, embora Deschamps possa optar por um sistema mais defensivo à medida que o torneio avança e o nível de dificuldade aumenta, Stéphan descartou essa possibilidade para este jogo, apostando na eficácia de um arsenal ofensivo protegido pelos dois “guardiões” do meio-campo que atuam discretamente na retaguarda.

‘Leões’ por toda parte do campo

O oposto ocorre com os marroquinos.

Em evolução constante nos últimos quatro anos, período em que se tornaram a primeira seleção africana a chegar a uma semifinal de Copa do Mundo e conquistaram a Copa Africana de Nações como anfitriões em 2025, os ‘Leões do Atlas’ depositam grande parte de suas esperanças de brilhar no Mundial de 2026 em seus meio-campistas.

Observadores de todo o mundo ficaram, de forma unânime, impressionados com a atuação de Ayyoub Bouadi, de 18 anos, na partida de estreia dos Leões contra o Brasil (1 a 1).

O jogador franco-marroquino, que chegou a ser capitão da seleção sub-21 da França antes de atender ao chamado da terra natal de seus pais, está se consolidando no meio-campo de Marrocos, atuando como contraponto defensivo de um jogador que vive grande fase, Azzedine Ounahi, autor de dois gols contra o Canadá nas oitavas de final.

O meia do Girona, que já jogou pelos franceses Angers e Olympique de Marselha e foi uma das estrelas da Copa do Mundo de 2022 antes de perder protagonismo em clubes, reencontrou sua melhor forma com a seleção de seu país.

No esquema 4-3-3 de Mohamed Ouahbi, que não conta com um centroavante tradicional, os meio-campistas – e até mesmo os laterais, liderados por Achraf Hakimi — representam as principais ameaças ofensivas, enquanto Brahim Díaz, com quatro assistências, fica encarregado de orquestrar o jogo.

Não é coincidência que o artilheiro do Marrocos no torneio seja Ismael Saibari — com três gols —, um meio-campista ofensivo de origem que o treinador utiliza como falso nove.

Neil El Aynaoui, que completa o trio, atua como o motor da equipe. Ele é aquele que tenta e completa o maior número de passes entre os jogadores marroquinos durante as partidas e é o único capaz de compensar a desvantagem física dos meias diante do desafio atlético imposto pela seleção francesa.

Um choque de estilos e sistemas numa batalha que precisa ser vencida para conquistar o prêmio final: a vaga nas semifinais.

© Agence France-Presse

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Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF

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