Ministério Público denuncia mulher que fingia ter 12 anos por estelionato

Via O Globo – O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) denunciou, nesta terça-feira, Amanda Maria Souza de Oliveira, uma mulher de 38 anos que se passava por pré-adolescente e enganou moradores de diferentes estados brasileiros. Segundo o MP-SC, ao simular ser uma jovem de 12 anos, ela tentava obter vantagens, como moradia, alimentação e medicamentos.

Amanda Oliveira foi denunciada por estelionato e identidade falsa. Com o nome falsoa de Gabriele Ferreira dos Santos, ela usou uma narrativa de abusos, como supostos maus-tratos cometidos por familiares, para sensibilizar as vítimas. A fala infantilizada, uso de objetos típicos da infância e simulação de crises emocionais faziam parte da estratégia para convencer uma família de Santa Catarina, diz o MP.

O inquérito policial mostrou que a condutas similares foram adotadas por Amanda Oliveira no Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, além das cidades de Florianópolis e Chapecó.

Atendendo a um pedido da defesa, a Justiça de Santa Catarina determinou a instauração de um incidente de insanidade mental, procedimento que irá avaliar a condição psicológica de Amanda Oliviera. O objetivo é verificar se a mulher tem condições de responder pelos próprios atos. Até o resultado do procedimento, o processo fica em suspenso.

“Caso seja constatado que a ré não tinha plena capacidade de entendimento ou autodeterminação na época dos fatos, o resultado poderá influenciar diretamente os rumos da ação penal, incluindo a eventual aplicação de medida de segurança em vez de pena privativa de liberdade”, diz o MP, em nota.

Relembre

Amanda foi presa na semana passada, no estado de Santa Catarina, após se passar por uma adolescente de 12 anos conseguiu ser acolhida por uma família durante 14 meses ao construir uma história marcada por supostos abusos, maus-tratos e abandono. Segundo a Polícia Civil, ela conquistou gradualmente a confiança dos moradores e de integrantes de uma igreja até ser informalmente “adotada” pela família, que acreditava estar ajudando uma criança em situação de vulnerabilidade.

De acordo com a polícia, ela se apresentava como “Gabriele” e afirmava ter 12 anos. Durante depoimento, confessou a fraude. Durante os 14 meses em que permaneceu com a família, a suspeita teria adotado comportamentos para sustentar a versão de que era uma criança.

Segundo os investigadores, ela utilizava chupeta, mamadeira e agia como adolescente. Também simulava crises de medo durante a noite para que a mãe adotiva a colocasse para dormir.

Familiares relataram à polícia que tentaram iniciar procedimentos para adoção e buscaram matriculá-la em uma escola. Sempre que esses processos avançavam, porém, ela recorria a chantagens emocionais para impedir a formalização.

A mulher alegava que uma adoção oficial poderia revelar seu paradeiro ao suposto pai biológico e colocá-la novamente em risco. O delegado Rodrigo Bueno Gusso afirmou que a suspeita tinha explicações para justificar o fato de aparentar idade superior à declarada.

— Ela veio com uma história triste, disse que ela foi obrigada na infância a viver em uma casa de prostituição e que nesse local era obrigada a tomar hormônios para desenvolver um porte físico maior e, em razão desses supostos hormônios, ela aparentava ter uma fisionomia mais velha — explica.

O caso começou a ser esclarecido após uma tia da família acolhedora procurar a polícia. Segundo a investigação, ela e o pai adotivo realizaram buscas na internet e encontraram informações indicando que a mulher já havia aplicado golpes semelhantes.

T CSM
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