Moradores do Jaguaré relatam novas trincas em imóveis afetados por explosão em SP

Moradores da comunidade Nossa Senhora das Virtudes 2, no Jaguaré, zona oeste de São Paulo, afirmam que novas rachaduras começaram a surgir em imóveis atingidos pela explosão causada por um vazamento de gás no último dia 11.

Fotos feitas pelos próprios moradores mostram fissuras em paredes, pisos e estruturas das casas, algumas delas atravessando revestimentos e se espalhando por diferentes cômodos.

Eduardo Santos Vieira, 57, líder comunitário local, afirma que os problemas estruturais passaram a se agravar nos dias seguintes ao acidente, mesmo após as primeiras avaliações técnicas realizadas na área.

“As brechas, fissuras, trincas das casas começaram a aumentar e isso está preocupando não só a comunidade, mas preocupando o poder público também”, disse. Segundo ele, moradores passaram a procurar novamente as equipes responsáveis após perceberem novos danos dentro das residências.

O número de imóveis interditados também aumentou desde os primeiros levantamentos feitos após a explosão. Inicialmente eram 57 casas isoladas. Agora, lideranças comunitárias estimam que o total esteja próximo de 68 imóveis.

Parte das famílias segue vivendo entre entulhos, móveis danificados e estruturas comprometidas. Em algumas casas, moradores relatam medo de permanecer nos quartos por causa do avanço das trincas.

Além dos danos estruturais, a comunidade voltou a registrar relatos de cheiro de gás em pontos próximos ao local da explosão.

Em nota, a Defesa Civil afirmou que atua desde o dia da explosão no atendimento às famílias afetadas e informou que todos os imóveis atingidos diretamente passaram por vistorias técnicas.

O órgão orientou que moradores que perceberem agravamento de danos ou surgimento de novas rachaduras acionem as equipes responsáveis para nova análise.

“A Defesa Civil segue acompanhando a situação e manterá o suporte técnico às famílias enquanto houver necessidade”, afirmou o tenente Maxwell, da Defesa Civil. O tenente esclarece ainda que no local foi montado um ponto fixo para que a comunidade atingida possa falar diretamente com o órgão.

“A Defesa Civil está no local desde a explosão e vai continuar até a entrega final dos relatórios. Eles quem irão determinar o número final de interdições”, explicou.

A explosão aconteceu durante uma obra de remanejamento de tubulação executada pela Sabesp, após o atingimento de uma rede de gás da Comgás na tarde de 11 de maio.

Duas pessoas morreram, o segurança Alex Sandro Fernandes Nunes, 49, e o pintor autônomo Francisco Bondemba da Silva, 57, conhecido pelos moradores como Bodenga. Outras duas pessoas ficaram feridas.

O caso passou a ser investigado pelo Ministério Público de São Paulo, que instaurou um inquérito civil para apurar as causas da explosão, a atuação das concessionárias responsáveis pelas redes subterrâneas, Sabesp e Comgás, e as medidas adotadas pelo poder público no atendimento às famílias atingidas.

Na investigação, o MP requisitou documentos como ordens de serviço da obra, projetos técnicos, mapas das redes subterrâneas, planos de contingência, identificação dos responsáveis técnicos e registros de chamados feitos por moradores no dia da explosão.

Relatórios também foram solicitados à Arsesp, Corpo de Bombeiros, IPT, Defesa Civil e secretarias municipais envolvidas no atendimento da ocorrência.

Vieira também questiona a participação de funcionários ligados à empresa terceirizada responsável pela obra em atividades de sondagem de solo acompanhadas pela Polícia Científica.

Moradores da comunidade ainda contestam a informação de que teriam sido avisados com antecedência sobre o vazamento de gás. Eduardo afirma que o alerta aconteceu poucos minutos antes da explosão.

“A população realmente foi avisada três minutos antes da explosão. Disseram: ‘deu merda, saiam de casa, não acendam luz, não acendam fogão’”, relatou.

Nesta quarta-feira (20), engenheiros do IPT, da Subprefeitura da Lapa e da própria Defesa Civil fariam uma nova rodada de inspeções nos imóveis interditados.

“Foram mapeadas até o momento 65 famílias que viviam em moradias coletivas nos imóveis afetados pela explosão e que não terão condições de serem reformadas, de acordo com análise das equipes técnicas”.

Por opção das famílias, o Governo de São Paulo já levou 18 delas para conhecerem imóveis mobiliados no Empreendimento Reserva Raposo. Até agora, dez aceitaram se mudar para os apartamentos da CDHU.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF

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