11/01/2026

MPE pede cassação e inelegibilidade do governador de Alagoas.

O governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), ao centro, em entrevista. Ao lado dele, o senador Renan Calheiros (MDB-AL) (esq.) e o ministro dos Transportes, Renan Filho (dir.) –seus aliados políticos na política local de Alagoas.

Paulo Dantas (MDB) é acusado de usar programa social para promover sua candidatura; a ação é de grupo aliado a Arthur Lira (PP).

O MPE (Ministério Público Eleitoral) pediu a cassação e a inelegibilidade do governador de Alagoas, Paulo Dantas (MDB), por abuso de poder político e econômico. A peça, protocolada na 2ª feira (1º.abr.2024), foi assinada pelo procurador Antônio Henrique de Amorim Cadete. A cassação se estende ao vice de Dantas, o ex-deputado federal Ronaldo Lessa (PDT). O texto ainda vai ser incluído em pauta para julgamento.

A ação foi levada a juízo pela coligação Alagoas Merece Mais, grupo político encabeçado pelo senador Rodrigo Cunha (Podemos-AL). O argumento é de que o programa assistencial Pacto contra a Fome, lançado em junho de 2022, foi criado por Dantas, à época candidato à reeleição, com fins eleitoreiros. A medida distribuiu cestas básicas para pessoas em vulnerabilidade social no Estado.

Segundo a acusação, além do governador e do seu vice, o ministro de Transportes, Renan Filho (MDB), também teria se beneficiado politicamente do programa como meio de promoção de suas candidaturas. Dois meses antes do lançamento do plano, o filho do senador Renan Calheiros (MDB) havia deixado o governo do Estado para se candidatar ao Senado.

Entretanto, a acusação contra o ministro dos Transportes não foi acatada. Renan Filho foi retirado do processo por não ocupar nenhum cargo público na época em que o programa foi lançado.

A coligação Alagoas Merece Mais é composta por aliados do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). O congressista, por sua vez, é rival de longa data de Calheiros e de seu grupo político, do qual faz parte o governador Paulo Dantas.

 O QUE DIZ O PARECER

Conforme o texto, há elementos que demonstram desvio de finalidade do programa social em benefício da candidatura de Dantas: “Na visão do Ministério Público Eleitoral, mostra-se evidente a prática de abuso de poder politico e econômico a partir da distribuição de cestas bascas no ano eleitoral de 2022, derivadas do chamado Pacto Contra a Fome”.

O documento considera que o programa teve:

um custo expressivo, de R$ 198.918.000, que ultrapassou recursos previstas na LOA (Lei Orçamentária Anual) daquele ano, em “valor absolutamente desproporcional” se considerada a meta física estipulada;

desproporcionalidade entre o número de cestas básicas previstas e ofertadas, em relação a ações semelhantes feitas em exercícios anteriores –houve um aumento de 91,74% na quantidade de cestas básicas distribuídas e um aumento de 183,59% no valor das cestas básicas distribuídas no ano eleitoral;

potencialidade para interferir no resultado da eleição; e

uso eleitoreiro –com menções reiteradas ao programa em entrevistas, reportagens e programas no período eleitoral por Dantas.

O QUE DIZ O GOVERNO

A assessoria de imprensa do Governo de Alagoas declarou que a ação não tem “base de sustentação”.

“A Procuradoria Geral do Estado de Alagoas apresentou documentos que comprovam que a entrega de cestas básicas já estava em execução orçamentária desde 2020. Além disso, durante o ano de 2022, Alagoas estava sob grave situação de emergência, reconhecida formalmente, por conta das fortes chuvas que atingiram seu território e da situação de insegurança alimentar da sua população, bem como a do próprio país, que registrou 33 milhões de pessoas passando fome naquele ano”, afirmou.

Em nota, o governo traz uma declaração o procurador do Estado Luís Vale, que diz que as acusações sobre uso político do programa tiveram “caráter depreciativo e foram infundadas”. Segundo ele, a legislação eleitoral “assegura que projetos preestabelecidos possam prosseguir ao longo do ano, independentemente de ser um período de campanha, fortalecendo a continuidade das ações de combate à insegurança alimentar e garantindo seu alinhamento com os preceitos legais”.

“Se as cestas foram distribuídas em um momento em que a fome estava aumentando no Estado de Alagoas, como a própria denunciante admite, então fica claro que a razão para distribuir mais cestas em 2022 não foi por motivos eleitorais. A intenção era garantir o direito fundamental das pessoas a terem acesso à alimentação básica”, afirmou o procurador.

Tribuna Livre, com informações do MPE

Deixe um comentário

Leia também
Ministério atua para liberar entrada de irmãos Batista em leilão de hidrovia, e agência barra
Ministério atua para liberar entrada de irmãos Batista em leilão de hidrovia, e agência barra
Gastos de R$ 129 milhões da Secom com anúncios na internet vão parar no MP Eleitoral
Gastos de R$ 129 milhões da Secom com anúncios na internet vão parar no MP Eleitoral
PF diz ao STF que investiga se Lulinha foi 'sócio oculto' do Careca do INSS
PF diz ao STF que investiga se Lulinha foi 'sócio oculto' do Careca do INSS.
Plenário da Câmara ignora CCJ e salva Zambelli de cassação
Plenário da Câmara ignora CCJ e salva Zambelli de cassação
Médico diz que Bolsonaro está apático e demora a responder
Médico diz que Bolsonaro está apático e demora a responder
Com 229 assinaturas, deputado atinge quórum para abrir CPI do Master
Com 229 assinaturas, deputado atinge quórum para abrir CPI do Master.
Ministro do TCU no Caso Master: emendas na mira de Dino, parceria com Lira e cria do Centrão
Ministro do TCU no Caso Master: emendas na mira de Dino, parceria com Lira e cria do Centrão
PGR: Investigação não provou que dinheiro na cueca de senador era ilegal
PGR: Investigação não provou que dinheiro na cueca de senador era ilegal.
Moraes pede esclarecimento à PF após Bolsonaro reclamar do ar-condicionado
Moraes pede esclarecimento à PF após Bolsonaro reclamar do ar-condicionado
Transparência Internacional critica Planalto por falta de informação e acesso a dados do PAC: ‘risco de fraude e corrupção’
Transparência Internacional critica Planalto por falta de informação e acesso a dados do PAC: ‘risco de fraude e corrupção’
Projeto propõe retorno voluntário de militares da reserva à ativa
Projeto propõe retorno voluntário de militares da reserva à ativa
Abraji repudia ataques contra Malu Gaspar após reportagem sobre Moraes
Abraji repudia ataques contra Malu Gaspar após reportagem sobre Moraes.

Forte chuva arrasta ponte em Alagoinhas.

Para chegar à cidade vizinha que fica cerca 30 km, Moradores se arriscam com tirolesa para cruzar rio. Moradores do distrito de Lagolândia, na cidade de Pirenópolis, optaram por se arriscar em uma tirolesa improvisada após a ponte que os conectava ao município de Vila Propício ser arrastada pela chuva.

Leia mais...

A sua privacidade é importante para o Tribuna Livre Brasil. Nossa política de privacidade visa garantir a transparência e segurança no tratamento de seus dados pessoais.