Pesquisa aponta rejeição a operações violentas em favelas do Rio

Uma pesquisa inédita com 4.080 moradores do Complexo do Alemão, Complexo da Penha, da Maré e da Rocinha aponta forte rejeição a operações policiais com confronto armado nas favelas do Rio de Janeiro. O levantamento, divulgado nesta quarta-feira (20), foi realizado por seis organizações da sociedade civil e ouviu 1.020 pessoas em cada território, entre 13 e 31 de janeiro deste ano.

Segundo o estudo, 73% dos entrevistados disseram não concordar com o atual tipo de operação policial, enquanto 25% afirmaram concordar e 2% não responderam. Quando a pergunta tratou do modelo atual de atuação, 92% reprovaram as operações, 68% disseram que elas precisam ser realizadas de outra forma e 24% defenderam que não deveriam ocorrer em favelas.

A pesquisa também indica que 91% dos moradores veem excessos e ilegalidades por parte da polícia nessas ações, percepção que aparece até entre quem apoia as operações. Entre os entrevistados, 90% consideraram esses excessos inaceitáveis. Para 85% dos que concordam com as operações, ainda assim há abusos policiais.

Os impactos no cotidiano aparecem como um dos principais pontos do levantamento. A restrição de circulação foi citada como o efeito mais recorrente, seguida por invasão ou violação de domicílio, estabelecimento comercial ou veículo, além de tiroteios recorrentes e balas perdidas. A pesquisa também destaca reflexos na educação e na rotina de trabalho e deslocamento dos moradores.

No recorte racial, a discordância às operações alcança 81% entre pessoas pretas, enquanto a maior concordância foi registrada entre pessoas brancas, com 30%. O estudo afirma ainda que 61% dos entrevistados enxergam racismo na forma como as operações são planejadas e realizadas nas favelas.

O medo da polícia também aparece de forma intensa: 78% dos moradores disseram sentir pouco ou bastante medo das forças policiais durante as operações. Entre os contrários às ações, esse índice chega a 85%; entre os favoráveis, é de 59%. O levantamento informa ainda que, entre os que apoiam as operações, o medo da polícia supera o medo dos grupos armados.

A pesquisa foi conduzida pelas organizações Fala Roça, Frente Penha, Instituto Papo Reto, Instituto Raízes em Movimento, Redes da Maré e A Rocinha Resiste, com apoio de instituições acadêmicas e de pesquisa. Segundo a coordenação do estudo, o objetivo é analisar como esses confrontos afetam a vida dos moradores e ampliar o debate sobre segurança pública nas comunidades.

T CSM
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