Cerca de 53 mil servidores participaram da segunda edição da Pesquisa Vozes do Serviço Público, registrando uma taxa de adesão de 9,77% e abrangendo mais de 200 órgãos e entidades da Administração Pública Federal.
Os dados foram apresentados na quinta-feira (16/4), durante o Agile Trends GOV 2026, em Brasília, pela diretora de Governança e Inteligência de Dados do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI), Mirian Bittencourt.
O evento reúne gestores, analistas e lideranças do setor público para discutir transformação digital e inovação prática, com minicursos e experiências interativas.
O levantamento analisou dimensões como liderança, engajamento, carga de trabalho, segurança psicológica, reconhecimento e intenção de rotatividade. A pesquisa, que já conta com duas edições, consolida-se como instrumento estratégico para orientar políticas de gestão de pessoas no governo federal.
Durante a apresentação, Mirian Bittencourt enfatizou o papel da escuta ativa na construção de políticas públicas eficazes. “A Pesquisa Vozes mostra que ouvir o servidor não é apenas uma prática de gestão, mas uma estratégia essencial para melhorar o desempenho institucional e a qualidade dos serviços entregues à sociedade”, afirmou.
Os resultados indicam um forte compromisso com o serviço público. Na primeira edição, 92% dos respondentes afirmaram valorizar contribuir para o interesse público, 77% declararam se identificar com a missão de suas organizações e apenas 10% manifestaram intenção de deixar o setor.
Entre as recomendações, destacam-se o fortalecimento de programas de desenvolvimento de lideranças e a promoção de uma cultura organizacional que avance para o pertencimento. A diretora alertou que estratégias focadas apenas na diversidade, sem integração real, podem gerar isolamento e frustração, conforme evidências em People Analytics.
Servidores demandaram maior mobilidade interna, oportunidades de transição entre áreas e critérios mais claros para progressão na carreira, além de transparência nos processos de promoção.
A pesquisa segue diretrizes de organismos internacionais e será realizada de forma periódica e censitária, permitindo o acompanhamento da gestão de pessoas no setor público.
Para Mirian Bittencourt, o aumento na adesão reforça o potencial da iniciativa. “Quanto maior o engajamento, mais robusto se torna o diagnóstico. Isso nos permite direcionar melhor os investimentos e aprimorar práticas de gestão em toda a administração pública”, concluiu.
O balanço final da segunda edição foi divulgado recentemente pelo MGI, com análise em curso pelo ministério e pela Escola Nacional de Administração Pública (Enap).
*Com informações do Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos