Porta-aviões USS Abraham Lincoln chega à Tailândia após 9 meses no mar

O porta-aviões americano USS Abraham Lincoln, que gerou controvérsias devido às condições enfrentadas a bordo por sua tripulação durante uma viagem de mais de nove meses, chegou a um porto tailandês nesta quarta-feira (2).

Os quase 5.000 tripulantes têm permissão para passar cinco dias no balneário de Pattaya, um destino popular de férias para as tropas americanas desde a Guerra do Vietnã.

O USS Abraham Lincoln partiu da Califórnia em novembro de 2025 para uma missão no Mar do Sul da China e foi desviado para o Oriente Médio antes dos ataques conjuntos de EUA e Israel contra o Irã, que desencadearam uma guerra regional há seis meses.

Relatos sobre a deterioração das condições de vida e questões de saúde mental a bordo, incluindo tentativas de suicídio, reacenderam as críticas ao conflito bélico do presidente Donald Trump com a República Islâmica.

A localidade turística de Pattaya se prepara para receber os marinheiros e fuzileiros navais.

Vários militares vestidos com shorts e camisetas civis foram recebidos em uma cerimônia. Eles contaram aos repórteres que suas prioridades eram “comida, descanso e água”.

“É um descanso bem merecido para toda a tripulação”, disse o capitão Dan Keeler, comandante da missão.

– Primeiro abraço em nove meses –

Após nove meses separadas, a americana Shakeira Fairfax, que viajou de Nova Jersey para Pattaya, conta os minutos para poder abraçar sua filha Jada, militar que completou 25 anos em junho a bordo do USS Lincoln.

“É a primeira vez que ela fica tanto tempo em um espaço tão reduzido. Mal consigo imaginar”, disse Fairfax, acrescentando que Jada lhe contou que tinha três objetivos na cidade tailandesa: fazer as unhas, os pés e receber uma massagem.

A chegada dos marinheiros gerou muita expectativa.

“Estamos todos muito animados; haverá muito movimento”, disse Anthony “AJ” Jones, um músico neozelandês de 60 anos que se apresenta todas as noites no bar de praia M’s Mojito.

Segundo a imprensa local, as autoridades de Pattaya proibiram a tripulação de acessar as áreas mais conhecidas por sua vida noturna nesta cidade litorânea, um dos principais destinos mundiais do turismo sexual, que há anos tenta se distanciar dessa reputação.

Os militares também serão proibidos de praticar esportes aquáticos e consumir maconha, alertou o prefeito de Pattaya, Poramase Ngampiches, que enfatizou a importância da “segurança” e os incentivou a visitar shoppings e locais de interesse religioso.

O enorme porta-aviões permanecerá em Laem Chabang até domingo, segundo o prefeito, que espera um impacto econômico de cerca de 100 milhões de baht (cerca de US$ 3,1 milhões, R$ 15,9 milhões).

– Tentativas de suicídio –

Nos Estados Unidos, parlamentares democratas pediram uma investigação sobre as condições de vida a bordo do USS Abraham Lincoln, após denúncias de escassez de alimentos, problemas de infraestrutura e questões de saúde mental.

Segundo o veículo especializado Navy Times, pelo menos dois marinheiros teriam tentado suicídio se jogando no mar.

Donald Trump minimizou os relatos, assim como as perguntas sobre o período excepcionalmente longo de travessia do porta-aviões.

Hung Cao, secretário-adjunto interino da Marinha, reconheceu que “um pequeno número de casos relacionados à saúde mental” havia sido atendido, mas afirmou que “nenhuma morte” foi relatada.

Pattaya, outrora uma tranquila vila de pescadores, transformou-se durante a Guerra do Vietnã na década de 1960, quando soldados americanos visitaram a localidade para relaxar em suas praias paradisíacas.

T CSM
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