Após subir mais de 5% na segunda-feira (4), o preço do petróleo está despencando nesta terça-feira (5) com o barril Brent, referência mundial, atingindo US$ 109,91 (R$ 541,20), às 12h45 (horário de Brasília), uma desvalorização de 3,96%.
O contrato de julho ficou em baixa durante a sessão, após começar na casa de US$ 114. Por volta das 5h45, ele foi a US$ 111,89, voltou para a casa de US$ 113, mas sofreu nova queda a partir das 12h até ficar abaixo dos US$ 110.
O barril WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, também ficou em um preço abaixo de segunda-feira e estava cotado a US$ 102 (R$ 502,25), perda de 4,15%, para o contrato de junho. Ele chegou a cair a US$ 101,13 (R$ 497,96) no dia.
A divulgação da empresa Maersk, uma das principais do transporte marítimo, de que um de seus navios-petroleiros, Alliance Fairfax, conseguiu atravessar o estreito de Hormuz sem incidentes trouxe alívio ao mercado. A retomada do tráfego na região é fundamental para a retomada do fornecimento de petróleo, já que 20% da produção mundial passa pelo local.
“O navio deixou o golfo Pérsico acompanhado de forças militares dos EUA. A navegação se realizou sem incidentes e todos os integrantes da tripulação estão são e salvos”, informou a Maersk, que relatou que a embarcação estava parada no golfo desde fevereiro, quando começou o confronto entre EUA e Israel contra o Irã.
Os EUA divulgaram no domingo (3) que passariam a escoltar as embarcações que quisessem atravessar Hormuz, mas o Irã prometeu atacar quem tentasse realizar o percurso sem autorização iraniana.
Na segunda, os dois países travaram uma disputa de versões. Os norte-americanos informaram que dois navios dos EUA transitaram por Hormuz, mas sem informar quando a passagem ocorreu. Já o Irã disse ter bombardeado um navio da Marinha dos EUA, o que foi negado pelos norte-americanos. Por fim, os EUA relataram que impediram seis embarcações do Irã na região, o que foi desmentido pelos iranianos.
Nos discursos, a disputa continuou. O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Baqer Qalibaf,
acusou os EUA de violar o acordo de cessar-fogo e que a situação geraria represália. “Sabemos bem que a continuação da situação atual é insuportável para os Estados Unidos, enquanto nós ainda nem começamos”, afirmou ele em post no X (antigo Twitter). Enquanto isso, o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que a escolta de navios prosseguia. “Segue muito bem”, disse o republicano.
Vários navios mercantes no Golfo relataram explosões ou incêndios na segunda-feira, e um porto de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, que abriga uma grande base militar dos EUA, foi incendiado por mísseis iranianos. O bloqueio para navegação em Hormuz continua sendo feito pelos dois países.
“A retórica de Irã e EUA sugere que é provável que a violência aumente antes que se possa encontrar uma solução diplomática”, afirmou Kathleen Brooks, diretora de investigação da XTB.
BOLSAS NA EUROPA SOBEM
Em meio à expectativa pelos desdobramentos do conflito no Oriente Médio, as Bolsas da Europa dispararam nesta terça. O índice Euro STOXX 600 fechou em alta de 1,83%, assim como Frankfurt (1,55%), Paris (1,08%), Madri (1,81%) e Milão (2,30%). A exceção foi Londres, que caiu 1,39%.
A reação positiva também é vista nos EUA, com os três índices subindo nesta terça: Nasdaq (1,02%), Dow Jones (0,54%) e S&P 500 (0,77%), às 12h45.
Na Ásia, a Bolsa de Hong Kong fechou em queda de 0,76%, enquanto Taiwan subiu 0,16%. Já os mercados na China, no Japão e na Coreia do Sul não funcionaram nesta terça devido a feriados nacionais.