Projeto de arqueologia revela passado indígena milenar no DF

Projeto de arqueologia revela passado indígena milenar no DF
Projeto de arqueologia revela passado indígena milenar no DF | Imagem: Divulgação

Um projeto de arqueologia, fomentado pela Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF), está resgatando a história da ocupação indígena no Distrito Federal e Entorno, que remonta a milhares de anos. A pesquisa, chamada Arqueologia e História Indígena no Brasil Central (Phibra) e coordenada pelo professor Luis Cayón, da Universidade de Brasília (UnB), investiga vestígios que revelam a presença de povos na região muito antes da construção da capital, em um esforço para reconstruir a história local.

O DF antes de Brasília e a pesquisa de arqueologia

Muito antes da construção de Brasília, o território do Distrito Federal já era ocupado por diferentes povos indígenas. No entanto, ao longo do tempo, essa presença foi sendo apagada, consolidando a ideia de que a região teria surgido como um espaço vazio. “A narrativa histórica oficial ainda negligencia a profundidade temporal e a complexidade das ocupações indígenas, reforçando a ideia de um território vazio que deveria ser colonizado”, explica Luis Cayón.

A pesquisa busca desconstruir essa visão, utilizando vestígios arqueológicos como evidências de uma ocupação humana milenar. As escavações se concentram em áreas do Entorno do DF, com destaque para o município de Unaí (MG), onde está localizada a Gruta do Gentio II, um dos principais sítios estudados. No local, foram encontrados ossos humanos, objetos, sementes, cerâmicas e tecidos, que ajudam a revelar aspectos da vida desses povos.

Modo de vida de povos milenares

A reconstrução desse passado é possível graças à integração de diferentes áreas do conhecimento. O projeto reúne uma equipe interdisciplinar e utiliza técnicas modernas para investigar os vestígios encontrados. O apoio da FAPDF, por meio do edital Demanda Espontânea de 2024, tem sido essencial para viabilizar as escavações, análises laboratoriais e a formação de pesquisadores.

“A arqueologia oferece ferramentas poderosas para acessar uma história não escrita, permitindo recuar milênios além dos documentos coloniais e seus vieses”

Luis Cayón, professor e pesquisador

Como iniciativa de pesquisa básica, o projeto está inserido nos níveis iniciais de maturidade tecnológica (TRL 1 a 3). Entre as abordagens empregadas, estão análises genéticas, geoquímicas e estudos de solo, além da investigação de pinturas rupestres. Essas ferramentas permitem compreender a dieta dessas populações, baseada em vegetais do Cerrado e na caça de animais, bem como as formas de ocupação do território e práticas culturais.

Valorização do patrimônio indígena e o papel da arqueologia

Além da produção científica, o Phibra se destaca pelo seu caráter formativo e social. Desenvolvido no formato de sítio-escola, o projeto transforma o campo arqueológico em um espaço de ensino e construção coletiva do conhecimento, com a participação de estudantes e comunidades locais.

“Para os estudantes, é a oportunidade de aplicar a teoria na prática. Para as comunidades, cria-se um vínculo com o patrimônio, transformando moradores em guardiões da própria história”, afirma Cayón. “Sem o fomento da FAPDF, o Phibra não teria a escala e o impacto que tem hoje, especialmente na formação de novos pesquisadores na região”, destaca o coordenador.

T LB
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