Brasília se prepara para receber, no próximo fim de semana, uma das modalidades mais tradicionais e radicais do skate. O Parque da Cidade Sarah Kubitschek será palco do Skate Vertical (VERT) pelo Pro Tour STU Brasília 2026, com a participação de alguns dos principais nomes da modalidade, entre eles Rony Gomes, campeão mundial em 2013.
Aos 34 anos, Rony é um dos grandes entusiastas do VERT e pertence a uma geração que teve como um de seus expoentes o jovem Pedro Barros, que posteriormente se tornaria medalhista olímpico. Antes de chegar ao cenário internacional, porém, o skatista se inspirou em uma geração que ajudou a consolidar o skate vertical no Brasil.
A história do VERT no país começou a ganhar força na década de 1970. Em 1976, foi inaugurada em Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro, uma pista considerada icônica: a primeira da América Latina com transições em formato de “U”. O espaço permitiu que os skatistas brasileiros passassem a reproduzir manobras inspiradas nas piscinas americanas e no surfe, aproveitando as paredes inclinadas.
Na década de 1980, a modalidade avançou com a construção de rampas de madeira feitas pelos próprios praticantes. Já nos anos 1990, o VERT viveu um de seus períodos de maior projeção no país. Em 1995, Rodrigo “Digo” Menezes conquistou o primeiro título mundial de VERT para o Brasil. Na mesma época, nomes como Bob Burnquist e Sandro Dias, o Mineirinho, surgiram no cenário internacional e ajudaram a colocar o skate brasileiro entre os destaques da modalidade.
Nascido em 1991, Rony Gomes acompanhava aquela geração pela televisão. Ainda criança, começou a andar de skate nas ruas e em parques de São Paulo, até descobrir uma pista de Half Pipe na região da Anchieta.
“Eu já andava de skate na rua da minha casa com os amigos do bairro. Também íamos aos parques, no Ibirapuera e no Ipiranga, mas pistas ainda não existiam. Era tudo muito novo. Por sorte a minha ou ironia do destino, achei um Half Pipe na Anchieta. Na época, os poucos campeonatos de skate que apareciam na TV eram de VERT. Comecei a ver o Bob, o Sandro, o Lincoln Ueda, o Geninho voando e me apaixonei. Para uma criança de uns 12 anos, impressionava”, relembrou.
A descoberta da pista mudou a relação do jovem Rony com o esporte. Aos fins de semana, ele passou a frequentar o local acompanhado do pai. Depois, descobriu que skatistas profissionais costumavam treinar ali durante a noite. Foi o contato direto com os atletas e, principalmente, com os aéreos que fez o garoto decidir que queria dedicar a vida ao skate.
“Meu pai me levou um dia da semana e a gente viu o pessoal voando, dando aqueles aéreos. Falei: ‘caramba, que legal isso!’ Comecei a frequentar todo dia. Depois do colégio, meu pai me deixava lá e só me buscava à noite. E me apaixonei de vez! Na verdade, foram os aéreos que me fizeram ter vontade de praticar, porque achava muito impressionante. Pensava: ‘como o cara consegue voar e voltar?’ Meu sonho era mandar um aéreo. E nunca desisti”, contou.
Com o passar dos anos, entretanto, o Skate Vertical perdeu espaço no Brasil. A dificuldade de acesso às rampas e a pouca quantidade de estruturas disponíveis contribuíram para o crescimento do Skate Park, modalidade que ganhou pistas de concreto em diferentes cidades.
Segundo Rony, a facilidade de construção das pistas foi um dos fatores que impulsionaram a mudança.
“Era mais fácil para as Prefeituras fazerem uma pista de concreto, que ficaria de legado para as pessoas usarem.”
Com a ascensão do Park, diversos skatistas migraram para a modalidade, entre eles Pedro Barros. Rony, no entanto, decidiu permanecer ligado ao VERT e passou a trabalhar também para manter a modalidade em evidência.
“Sempre fui um cara que batalhei pelo Skate Vertical, por ser apaixonado pelos aéreos e por gostar da modalidade. Até por isso comecei a fazer meus próprios campeonatos. Hoje, ver muitos eventos de VERT de volta, como os que o STU realiza, me deixa muito feliz. Faço de tudo para que se estabeleça de novo no cenário. Então, nem preciso descrever minha alegria por ir a Brasília junto com uma galera de alto nível para mostrar tudo o que sabemos”, afirmou.
Ingressos gratuitos
Os ingressos para o Pro Tour STU Brasília 2026 são gratuitos e já estão disponíveis para retirada pela Zig Tickets. O público poderá escolher entre os ingressos para as fases iniciais e para as semifinais e finais.
Ingressos — VERT, Best Trick, Street — Fase 1 e Fase 2
Ingressos — VERT — Semifinal e Final
Os ingressos dão acesso às arquibancadas e às áreas comuns do evento, incluindo ativações, praça de alimentação e a feira URB. A classificação é livre, e cada pessoa poderá retirar até dois ingressos. Crianças de até 5 anos não pagam.
Para entrar no evento, será necessário validar o QR Code do ingresso. Não serão aceitos códigos impressos nem capturas de tela. Também será necessária a doação de 1 kg de alimento não perecível para validar a entrada.
O Pro Tour STU Brasília 2026 é viabilizado pela Lei Federal de Incentivo ao Esporte, tem o Governo do Distrito Federal como sede e é homologado pela Confederação Brasileira de Skateboarding. O evento conta ainda com apoio da Federação de Skate do Distrito Federal, da Drop Dead e do Instituto Conecta. A Heineken 0.0 é a cerveja oficial, enquanto Red Bull, Vale e Ministério do Esporte estão entre os patrocinadores.