Por: Débora Oliveira
A maternidade transforma completamente a rotina das mulheres, especialmente durante o período da amamentação, que exige tempo, adaptação e cuidado constante. Em meio aos compromissos do dia a dia, do trabalho e dos deslocamentos pela cidade, encontrar um ambiente confortável, reservado e adequado para realizar a coleta e o armazenamento do leite materno ainda é um desafio para muitas mães.
Pensando em oferecer mais acolhimento às mães lactantes, a Fundação Hemocentro de Brasília inaugurou a Sala de Apoio à Amamentação, tornando-se o primeiro hemocentro público do país a contar com esse tipo de estrutura. A iniciativa faz parte de um programa nacional voltado ao atendimento de mulheres que amamentam em ambientes públicos e reforça as ações de incentivo ao aleitamento materno já desenvolvidas pelo Governo do Distrito Federal.
A iniciativa também reflete a realidade do Hemocentro, onde as mulheres representam a maioria da força de trabalho. Das 357 pessoas que compõem o quadro de servidores da fundação, 235 são mulheres, mais de 65% do total. Atualmente, 14 funcionárias estão em período de lactação. Somados os 34 profissionais terceirizados, a participação feminina ultrapassa 70% da força de trabalho.
Além de atender esse público, a sala busca incentivar a amamentação e fortalecer a cultura da doação de leite humano no Distrito Federal. “A sala entra também dentro de um programa de qualidade de vida para os servidores, porque disponibiliza um ambiente totalmente exclusivo para atendimento dessas mães que estão alimentando seus filhos. Mas também atenderá mães que acompanham maridos, filhos ou familiares que vêm doar sangue”, explicou o presidente.
Além de acolher as lactantes, a iniciativa também busca estimular a doação de leite humano no Distrito Federal. A estrutura conta com equipamentos específicos para garantir a qualidade e a conservação adequada do leite coletado. “O principal desafio foi entender toda a estrutura necessária para garantir segurança e qualidade no armazenamento do leite. Tivemos atenção especial ao layout, à instalação da pia, da geladeira e ao controle rigoroso de temperatura, monitorado de quatro em quatro horas”, afirmou Okumoto.
A expectativa da Fundação é que o projeto sirva de inspiração para outros hemocentros públicos do país ampliarem ações voltadas ao acolhimento materno e ao incentivo à doação de leite humano. “Como somos o primeiro hemocentro público do país com esse espaço, esperamos que essa iniciativa chegue aos outros hemocentros para que mais salas de apoio à amamentação sejam implantadas. Isso ajuda a fortalecer a doação de leite materno, assim como sempre incentivamos a doação de sangue”, ressaltou o presidente.
Wanessa Sotter de Freitas, de 39 anos, é chefe da unidade administrativa e financeira do Hemocentro e mãe de Maria Luiza, de um ano e meio, e comemorou a inauguração da Sala de Apoio à Amamentação. Para ela, a criação do espaço representa mais tranquilidade para as mães que retornam ao trabalho após a licença maternidade e precisam conciliar a rotina profissional com a continuidade da amamentação.
“Quando voltei da licença maternidade, tive muitos receios sobre como continuaria amamentando sem ter um local adequado para fazer a extração do leite durante o expediente. Mesmo com o horário destinado à amamentação, passamos muitas horas no trabalho e isso gera desconforto físico e preocupação com o bebê”, relata Wanessa.
A servidora conta que já enfrentou dificuldades para amamentar fora de casa e precisou buscar locais que oferecessem privacidade e conforto para ela e a filha. “No começo eu tinha muita dificuldade de amamentar em público. Muitas vezes é constrangedor, porque as pessoas olham e nem sempre respeitam esse momento. Com o tempo, precisei enfrentar isso porque minha filha precisava se alimentar, mas saber que existem espaços preparados para acolher as mães faz toda a diferença”, afirma.
Para Wanessa, iniciativas como essa contribuem para que mais mulheres consigam manter a amamentação por mais tempo, especialmente após o retorno ao trabalho. “Muitas mães voltam da licença quando o bebê ainda depende exclusivamente do leite materno. Ter um espaço adequado incentiva a continuidade da amamentação e facilita que ela aconteça de forma prolongada”, destaca a colaboradora do Hemocentro.
Ponto de coleta
Além de oferecer suporte às mães lactantes, a nova sala passa a integrar a rede de incentivo à doação de leite humano do Distrito Federal. O espaço funcionará como ponto de coleta para mulheres que desejam contribuir com os bancos de leite da rede pública. Após a extração, o material poderá ser armazenado no local e será recolhido pela equipe do Banco de Leite Humano do Hospital Regional da Asa Norte (Hran), responsável pelo processamento e distribuição.
Antes de chegar aos recém-nascidos atendidos nos hospitais públicos, o leite doado passa por rigorosos processos de análise, pasteurização e controle de qualidade. O alimento é destinado principalmente a bebês prematuros e de baixo peso, para os quais o leite materno pode representar um fator decisivo na recuperação e no desenvolvimento saudável.
Para realizar a doação, é necessário atender aos critérios estabelecidos pela rede de bancos de leite humano. Mulheres que ainda estão amamentando podem doar caso o parto tenha ocorrido há mais de 12 meses. Já aquelas que encerraram a amamentação precisam ter, no mínimo, três meses de pós-parto. Em caso de dúvidas, a orientação é buscar informações com a equipe de triagem do Hemocentro antes de utilizar o serviço.