Sobras ou lucro? como funciona o diferencial das cooperativas

Economia Cooperativa

Em São Jorge do Ivaí, município de pouco mais de 5 mil habitantes no Noroeste do Paraná, cerca de R$ 4 milhões chegaram aos produtores rurais associados à Cocamar na última distribuição de resultados. O dinheiro vem de negócios realizados ao longo do ano, como a venda de grãos e a compra de insumos. Para quem vive da agricultura, ajuda a pagar as despesas da próxima safra. Para uma cidade desse porte, é a roda econômica girando, com recursos que impactam o comércio e os serviços locais.

Essa relação de “boa vizinhança” faz parte da tradição cooperativista, que tem entre seus princípios o compromisso com o desenvolvimento das comunidades onde atua, e ganhou escala conforme as cooperativas cresceram pelo País. Em 2025, as 4,4 mil cooperativas brasileiras registraram R$ 61,28 bilhões em sobras, resultado que pode ser parcialmente distribuído aos associados.

Segundo a série histórica do Sistema OCB, o valor mais que quadruplicou desde 2019, quando estava perto de R$ 15 bilhões, e cresceu 14,17% só no último ano. O ramo agropecuário respondeu por R$ 29,25 bilhões, seguido pelo de crédito, com R$ 24,01 bilhões. Juntos, concentram quase 87% do total.

Saca de soja rende duas vezes

Para entender de onde vem esse dinheiro, basta acompanhar o caminho de uma saca de soja. Quando um agricultor vende sua produção a uma empresa, recebe o preço negociado e a história termina ali. Se vende por meio de uma cooperativa da qual é associado, e relação continua, porque ele também é dono do negócio e participa da decisão sobre o destino dos resultados. Ao fim do ano, depois de pagas as despesas e feitas as reservas previstas em lei, parte do dinheiro que sobrou pode voltar para ele. Daí o nome: sobras. Na Cocamar, em 2025, cada saca de soja comercializada pela cooperativa rendeu sobras de R$ 2,50 ao produtor.