O duelo entre Gama e América/RN, pelas oitavas-de-final da Série D, a ser disputado neste domingo (26), já começou violento. Na noite de sexta-feira (24), por volta das 22h, oito carros com homens ligados à Ira Jovem do Gama (IJG) atacaram a sede da Torcida Facção Brasiliense (TFB), na divisa entre Ceilândia e Taguatinga – a poucos quilômetros do Estádio Serejão, onde o time amarelo costuma mandar seus jogos. Os vídeos recebidos pelo Jornal de Brasília mostram alguns veículos estacionados em frente a uma loja de materiais de construção, onde a briga começa, pois os integrantes da TFB correm em direção aos carros, já prontos para a briga.
Além da óbvia rivalidade entre as agremiações candangas, a Facção Brasiliense também hospeda e fornece apoio logístico à Torcida Máfia Vermelha (TMV), a principal organizada do clube natalense. E, na capital potiguar, um membro foi espancado até o desmaio nos arredores da Arena das Dunas, onde o alviverde perdeu por 1 a 0 no jogo de ida do mata-mata. Em um dos registros enviados à reportagem, é possível ouvir disparos efetuados a partir de um dos carros. Logo em sequência, um veículo preto faz uma espécie de retorno pela contramão e “resgata” um integrante que ficou para trás, ferido, e arranca ainda com as portas abertas.
Nos vídeos também é possível observar que a rua da QNM 33 é interditada por um dos automóveis, que bloqueia o trânsito durante a ação dos torcedores . “Foi muito organizado”, diz um integrante da Máfia Vermelha que está em Brasília desde quarta-feira. Com isso, a apreensão para o jogo deste domingo cresce, principalmente pelo clima decisivo – o vencedor avança para o “mata-mata do acesso”, cuja vitória garante um lugar na Série C de 2027 -, pelos “reforços” americanos que ainda vão chegar e pela presença de outras aliadas.
De acordo com a diretoria da TMV, cerca de cinquenta pessoas tinham chegada prevista ao Distrito Federal no útlimo sábado; mais alguns integrantes da torcida que moram em Goiânia; e integrantes das torcidas Esquedrão Vilanovense (TEV) e da Máfia Azul, do Cruzeiro, que também é aliada da Facção e da Máfia Vermelha.
O clima hostil para o jogo se acirra pela aliança entre a Ira e a principal organizada do ABC Futebol Clube – rival do América -, a Garra Alvinegra (TGA). Em Natal, inclusive, a IJG recebeu apoio logístico e humano para o jogo da ida. “Eles ficaram hospedados no Frasqueirão [estádio do ABC], mas nos provocaram muito antes do jogo. No dia do estádio, o presidente deles ficou para trás e achou que daria para brigar só na técnica do kickbox”, relata o torcedor americano.
Acordo tácito
A suspeita é que o homem agredido em Natal seja o presidente da IJG, Heliomar Rocha, o “Negão”. Assim, o atentado de sexta-feira teria vindo como uma vingança da torcida alviverde, além de um ataque direto aos rivais, mas o plano talvez tenha ido longe demais. A Ira Jovem quebrou o que se considera um código de conduta das torcidas organizadas, mesmo entre as rivais: a sede de uma agremiação é “território sagrado”, conforme comentaram alguns integrantes à reportagem.
“Eles estavam armados com pedaços de pau, arma e até um facão”, descreve o homem, que é da velha guarda da torcida americana e disse jamais ter presenciado um ataque de tamanho desrespeito. “Eu não sei o que a Facção vai fazer, mas lá em Natal isso não ficaria barato”, vaticina. A direção da Máfia Vermelha relata ter tido contato com a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) há mais de uma semana para o preparo da chegada de seus integrantes ao DF, inclusive demovendo a corporação de permitir a passagem de “cerca de mil pessoas” em frente à entrada da torcida visitante no Bezerrão.
Procurada, a Polícia Militar informou que uma “viatura abordou veículo suspeito dos disparos, porém nenhuma arma [foi] encontrada”. A corporação comentou ainda que não houve “vítimas para fazer a queixa” e que o carro em questão “estava em deslocamento ao hospital”. A Ira Jovem também não se pronunciou sobre o episódio e o espaço, como de costume, está aberto.