O americano The Wall Street Journal (WSJ) publicou nesta segunda-feira (31) uma reportagem que apontou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou tarifas sobre importações de carne bovina um dia após ter se encontrado na Casa Branca com o empresário brasileiro Joesley Batista, um dos donos da gigante do setor JBS.
Segundo o periódico nova-iorquino, Joesley se reuniu com Trump no Salão Oval no último dia 20, encontro no qual ambos “discutiram como o fornecimento adicional de carne bovina do Brasil poderia ajudar caso Trump eliminasse uma taxa de importação de 26%, segundo pessoas a par do assunto”. O WSJ não conseguiu apurar quem organizou a reunião entre o empresário brasileiro e Trump.
No dia seguinte, Trump anunciou na rede Truth Social a importação sem tarifas de até 300 mil toneladas métricas de aparas de carne bovina magra de vários países para produção de carne moída durante um período de 90 dias.
A ideia é reduzir os preços da carne nos EUA: tais produtos importados serão vendidos com preços 25% menores em relação aos preços de mercado, disse o presidente americano.
“Joesley Batista e seu irmão, Wesley Batista, são atualmente membros do conselho e acionistas majoritários da JBS. Os irmãos chegaram a ser afastados após um escândalo de corrupção no Brasil, há quase uma década, no qual admitiram ter subornado políticos e passaram vários meses na prisão. Eles firmaram acordos separados para encerrar acusações de corrupção nos EUA”, descreveu o WSJ na reportagem.
“A empresa declarou que agora possui um programa de compliance robusto e que os irmãos trazem décadas de experiência operacional”, acrescentou o jornal.
Apesar da interlocução com Joesley, Trump anunciou na semana passada que vai desregulamentar o setor de processamento de carne dos EUA e acusou as quatro maiores empresas do setor no mercado americano, entre elas a JBS, de “monopólio”.
O Departamento de Justiça americano (DOJ, na sigla em inglês) abriu investigação sobre o assunto. As empresas negam qualquer irregularidade.