A jornada rumo ao hexa foi adiada mais uma vez, depois que a seleção brasileira perdeu a partida das oitavas de final contra a Noruega. O jogo, que aconteceu no MetLife Stadium, em Nova Jersey, terminou com o placar de 2 a 1, deixando a torcida reunida no bar Patinho Feio, na Asa Norte, decepcionada e indignada com as chances de gol que foram perdidas no primeiro tempo e com o desempenho do time em todo o torneio contra os noruegueses.
A casa estava cheia no Patinho Feio, espaço que tem recebido uma movimentação muito grande nesta Copa do Mundo, em todos os jogos. O primeiro ano de funcionamento do bar foi marcado pela atmosfera do mundial — não só as partidas do Brasil —, o que transformou a rotina e o faturamento do local. Ao JBr, Érico Lima, um dos sócios do estabelecimento, contou que o espaço se consolidou como um dos pontos de encontro dos torcedores. “Essa é a nossa primeira Copa. Já virou a casa da Copa, todo mundo abraçou a ideia, o Patinho tá sendo abraçado por todo mundo”, afirmou. Para ele, o fluxo de clientes no campeonato mundial pode ser comparado ao período carnavalesco: “Aumenta muito o faturamento, o movimento é como se fosse outro Carnaval.”
Antes de cada partida, principalmente as do Brasil, os clientes esperam em filas quilométricas na porta. Érico reforçou que a equipe trabalha para ajustar a operação e pediu o apoio dos frequentadores. “A gente pede um pouquinho de compreensão e paciência do pessoal, porque é muita gente. A gente vai ajustando a cada jogo, vai melhorando, vai botando mais funcionário, mas é muita gente, então a gente vai tentando atender todo mundo da melhor forma”, pontuou.
O músico Meolli tocou com o seu projeto musical no bar antes da partida ser televisionada. O artista, que já havia se apresentado no aniversário do bar meses atrás, destacou a energia única de tocar em dia de jogo decisivo da Seleção: “Copa do Mundo é festa, evento, e a gente tá inserido nisso. Tudo isso cria uma atmosfera que é especial, é diferente, traz uma adrenalina e expectativa na busca do tão sonhado hexa”, afirmou. Apesar do resultado, o cantor e amante de futebol, espera retornar ao local nas próximas fases do mundial.
Decepção de quem acreditava
Os torcedores reunidos no estabelecimento estavam com muita esperança de um resultado positivo. O publicitário Michael Bernardes, de 31 anos, estava animado com a disputa e escolheu o bar pela primeira vez para assistir ao jogo, aproveitando para unir dois conceitos com um boné que tinha um patinho pendurado. “Esse aqui é homenagem ao bar, que é o Patinho Feio, e homenagem ao canarinho, que é o Braza”, explicou. No início, a tensão subiu com um gol da Noruega que, para o alívio dos brasileiros, foi anulado. Ainda no primeiro tempo, o Brasil teve a chance de abrir o placar com uma cobrança de pênalti batida por Bruno Guimarães. Mas a torcida sofreu a primeira decepção do dia com a penalidade perdida.
No intervalo, o clima era de pura ansiedade após a etapa inicial difícil. O empresário Antônio Fonseca, de 42 anos, afirmou que o começo foi “péssimo e angustiante”, mas o sentimento de frustração ainda era pequeno perto da esperança. “Somos brasileiros, não desistimos nunca, essa é a nossa vibe”, brincou. O servidor Henrique Miranda, de 37 anos, tinha a expectativa de um gol logo na entrada do segundo tempo para a aflição diminuir, mas seu pedido não foi atendido, já que os noruegueses levaram a melhor na partida.
As emoções estavam exacerbadas e o primeiro tempo acabou no zero a zero, deixando os torcedores ainda na expectativa de um resultado positivo. No segundo tempo, o público reunido no bar vibrou quando o favorito, Endrick, finalmente entrou em campo e já foi rumo a uma finalização. Mas o placar continuou desfavorável, com muitas chances perdidas pela seleção verde e amarela.
Neymar entrou em campo também no segundo tempo e fez um gol em uma cobrança de pênalti nos acréscimos do segundo tempo.
Essa foi a primeira vez, desde a Copa do Mundo de 1990, que o Brasil foi eliminado antes das quartas de final. Com a desclassificação precoce, o compositor Bruno Siqueira, de 40 anos, não esperava por esse resultado. Ele tinha a expectativa de um placar de 3 a 0 para o Brasil e, no intervalo, continuava animado. Mesmo achando que inicialmente a seleção estava bem, Bruno acredita que faltou Neymar no primeiro tempo. “Tivemos um pênalti e, se o Neymarzinho estivesse em campo, era gol. Mas quem não faz, infelizmente leva”, frisou. Ele pediu ao técnico da seleção, Carlo Ancelotti, que coloque os jogadores para jogar direito da próxima vez. “Brasil: 2030 é nosso”, acrescentou.
E enquanto a seleção brasileira saía de campo para fazer as malas e retornar para casa depois de uma despedida dramática, torcedores como o autônomo William Franco, de 26 anos, tiveram que cumprir sua parte nas apostas entre familiares. William tinha apostado na vitória por 3 a 1 e acabou perdendo o palpite; ao final do jogo, foi cobrado pelo sogro para pagar R$ 100. “Paguei o Pix. Apostei com meu sogro e, quando o juiz apitou, foi a primeira ligação que recebi”, lamentou.
Apesar de tudo, ele está confiante em um desempenho melhor na próxima edição do torneio: “Eu acreditava no hexa. Infelizmente não veio, mas o que importa é o entretenimento. Em 2030 eu vou estar aqui torcendo de novo, acreditando que uma hora ele vem”. Ele tem grandes esperanças para o futuro: “Daqui a quatro anos, em 2030, eu vou estar casado com minha mulher. Anota: eu e ela com nosso presente de casamento, o Brasil hexa. Vamos torcer”, finalizou.
A namorada de William, a psicóloga Ana Clara Treybla Viana, de 24 anos, criticou duramente a atuação dos jogadores em campo. “Estou chateadíssima. Faltou muita coisa. O pênalti mesmo no começo podia ter sido nosso, mas não foi. Faltou o VAR, faltou muita coisa”, salientou. Para ela, o Brasil deixou a desejar por não se impor, mesmo conhecendo o potencial dos adversários, conhecidos como os vikings. “Eu acreditava que chegaríamos pelo menos até as quartas de final, mas cair nas oitavas é complicado. Eles sabiam que iam jogar contra um time forte e, mesmo assim, não deu. É só chateação”, lamentou.
O médico João Paulo Souza Menezes, de 28 anos, ficou frustrado, já que ele esperava o placar de 2 a 1, mas a favor do Brasil. “Estou decepcionado, muito triste. Eu apostei muito nisso aqui”, desabafou. Para ele, a postura do time foi o principal problema. “Faltou vontade. Mas, paciência, segue o baile. Daqui a quatro anos a gente joga de novo e o hexa uma hora vai vir. Agora é voltar a trabalhar normal”, completou. Ele deixou claro que não vai mais acompanhar os jogos desta Copa nos Estados Unidos, já que o Brasil era sua única prioridade.