O árbitro mal tinha apitado o fim da partida no início da noite de ontem e o tribunal da internet já estava instalado. No meio do bombardeio de críticas da mídia esportiva, de torcedores e nas rodas de amigos, uma velha teoria mística voltou a viralizar com força avassaladora: a de que o calvário do futebol brasileiro é, na verdade, reflexo da “Maldição do Gato de Doha”, iniciada na Copa do Mundo do Qatar.
Para muitos, a crise não é técnica, mas sim espiritual. Tudo começou no dia 7 de dezembro de 2022, quando o então assessor de imprensa da CBF, Vinicius Rodrigues, afastou de forma ríspida um felino que invadiu a bancada de entrevista do atacante Vinicius Junior. O Brasil caiu dois dias depois diante da Croácia e, desde então, a Seleção entrou em uma espiral de desastres.
Pegando carona na tese do “azar”, internautas passaram a listar uma sequência impressionante de marcas negativas.
- A dança das cadeiras no banco: Uma instabilidade inédita que viu Tite renunciar, Fernando Diniz ser demitido e, posteriormente, Dorival Júnior também deixar o comando da Amarelinha.
- O fim da soberania em casa: A perda da invencibilidade histórica jogando no Brasil pelas Eliminatórias, sacramentada diante da Argentina.
- Vexame olímpico: A Seleção Brasileira ficou de fora dos Jogos Olímpicos após perder a vaga no confronto direto contra os argentinos.
- Recorde de derrotas: Pela primeira vez na história, o Brasil acumulou três derrotas consecutivas em partidas de Eliminatórias.
- O calvário de Neymar: O craque sofreu uma grave ruptura de ligamentos no joelho em 2023 e desfalcou a Seleção por um longo período, embora o alarmismo das redes exagere ao cravar que o hiato chegou a dois anos inteiros.
- Goleada na base e queda na Copa América: O pacote inclui a eliminação nas quartas de final da Copa América pelo Uruguai e os impressionantes 6 a 0 sofridos para a Argentina no Sul-Americano Sub-20.
- Derrota para a Noruega e eliminação da Copa do Mundo de 2026.
A verdade é que culpar o felino do Catar é a saída mais confortável para esquecer a realidade. O problema crônico da Seleção Brasileira não é feitiço; é falta de gestão, de padrão tático e de futebol. E, claro, faltam de craques.