Dia do Servidor no DF: entre a folga prolongada e a luta por valorização

Dia do Servidor no DF: entre a folga prolongada e a luta por valorização

Foi oficializada pelo Governo do Distrito Federal a mudança na data de comemoração do Dia do Servidor Público, que era celebrado originalmente em 28 de outubro, para 30 de outubro. Essa medida, formalizada pelo Decreto nº 49.585 no Diário Oficial do Distrito Federal, antecede o feriado nacional de Finados (2/11) e garante aos servidores um período maior de descanso.

Em repartições públicas, hospitais e escolas do DF, a rotina diária é intensa e muitas vezes sob estruturas limitadas. O dia a dia dos trabalhadores revela a sobrecarga física e emocional que afeta diretamente o bem estar dos profissionais. Uma agente de administração pública com 37 anos de serviço vive essa pressão diariamente em uma jornada de 240 horas mensais.

Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

A servidora relata a dificuldade em se aposentar sem ter perdas financeiras drásticas, já que se desligada do cargo ela não recebe mais as gratificações. “Nós, nos últimos anos, sofremos muitas mudanças que não são boas. Fomos trocados por pessoas terceirizadas e o nosso valor ficou muito menor do que os que entraram sem concurso”, desabafa. Ela destaca ainda a perda de convivência familiar ao longo da carreira e a desvalorização de suas duas formações, que não trazem aperfeiçoamento ou melhoria salarial.

São as dificuldades na ponta do serviço que refletem os problemas estruturais apontados pelos sindicatos. O Sindicato dos Professores no Distrito Federal (Sinpro-DF) registrou um déficit de aproximadamente 12 mil professores efetivos na rede pública da capital. De acordo com a entidade, o magistério aparece na penúltima posição salarial entre cargos de nível superior no Distrito Federal.

Entre as principais reivindicações da categoria há a reestruturação da carreira para cumprir a Meta 17 do Plano Distrital de Educação, realizar concursos públicos para suprir carências, pagamento retroativo do ajuste de 2015 e a construção de novas escolas para diminuir o número de alunos por sala de aula. Além disso, o Sinpro também cobra climatização nas salas e a garantia de uma educação inclusiva de qualidade.

A carência de pessoas e o baixo investimento em infraestrutura geram prejuízos para a comunidade escolar e para a sociedade. Segundo o Sinpro-DF, a rotatividade de docentes torna mais difícil a criação de vínculos com os alunos, além de prejudicar o desenvolvimento do Projeto Político-Pedagógico das escolas.

O sindicato reforça a importância de campanhas públicas de valorização dos servidores. “O mais importante hoje para o servidor público é uma valorização ampla em todos os aspectos”, afirma a representação sindical.

Em nota, a Secretaria de Estado de Economia do Distrito Federal (SEEC-DF) apresentou dados sobre a quantidade de servidores. De acordo com o Painel Estatístico de Pessoal da pasta, o DF contabiliza um total de 192.186 pessoas cadastradas no sistema, distribuídas em 112.194 servidores ativos, 62.947 inativos, 13.567 pensionistas e 3.478 em outros enquadramentos. A maior quantidade fica concentrada na Secretaria de Estado de Educação, com 71.786 servidores, seguida pela Secretaria de Estado de Saúde, com 54.246 profissionais.

A SEEC-DF destaca ainda os reajustes salariais e benefícios concedidos recentemente. A pasta ressalta a Lei nº 7.253/23, que aplicou reajuste linear de 18% para as carreiras em três parcelas anuais até julho de 2025, além de 25% para cargos comissionados. O governo menciona reajustes específicos para auditores e procuradores (8% em janeiro de 2026), readequações na Gratificação de Incentivo à Carreira (GIC) do magistério, reajustes para técnicos em enfermagem (5% em outubro de 2025 e 5% em abril de 2026), valorização da Gratificação de Desempenho Social (PSD) e reestruturações nas tabelas do Detran-DF e da Gestão Fazendária em 2026.

O cenário revela o contraponto entre o Executivo e as representações dos trabalhadores. Enquanto o governo ressalta os limites no orçamento, a sustentabilidade fiscal e as entregas de benefícios institucionais, as categorias mantêm a cobrança por recomposição das perdas inflacionárias históricas, cronogramas de nomeações e melhoria efetiva das condições diárias de trabalho.

Para quem atua diariamente no atendimento ao público, o reconhecimento vai além do dinheiro. Para a servidora entrevistada, a falta de sensibilidade dos governantes agrava os problemas de saúde dos trabalhadores, que são obrigados a manter a rotina de trabalho mesmo quando estão doentes. Enquanto isso, o Sinpro-DF enfatiza que reconhecer o valor do funcionário público é reconhecer quem prepara as crianças e os jovens para a cidadania crítica e o mercado de trabalho.

T CSM

TRIBUNA LIVRE BRASIL

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