Ao longo dos últimos anos, o Brasil passou a ocupar um lugar de grande destaque internacional no mercado de criptomoedas. Isto não reflete somente mudanças no nível de investimento, mas também ao modo como a população se ajustou e passou a utilizar ativos digitais em seu cotidiano. Num contexto mais amplo, é preciso considerar que o crescimento do uso de criptomoedas no Brasil não é um fenômeno isolado. Ele acompanha a tendência global para um regime financeiro digitalizado e para uma diversificação do investimento em novas alternativas digitais.
O Índice Global de Adoção de Criptomoedas é um dos documentos que demonstra como as criptomoedas estão cada vez mais presentes no cotidiano brasileiro. Esse relatório coloca o Brasil em quinto lugar no uso do ativo digital a nível mundial, apenas precedido pela Índia, os Estados Unidos da América, o Vietnã e o Paquistão.
Por isso, é muito relevante pensar sobre o uso do ativo digital no Brasil e sobre o que está influenciando o destaque nacional no mercado financeiro global de criptomoedas.
Estudos colocam Brasil entre os maiores usuários de moeda cripto
Segundo uma pesquisa da Chainalysis, o mundo está adotando cada vez mais a criptomoeda. Em alguns locais do globo, como a região da Ásia, o último ano registrou um crescimento de 69%. Motivado pelo engajamento de países como o Vietnã, a Índia e o Paquistão, as transações da região aumentaram de US$ 1,4 trilhão para US$ 2,36 trilhões.
Ainda que não seja tão significativo quanto a região da Ásia-Pacífico, a América latina ocupa o segundo lugar na adoção de cripto, segundo o mesmo estudo. O relatório indica que existe um maior número de investidores de varejo e uma maior entrada de instituições no setor. Parte do chamado “Sul Global”, esse impulso em criptomoedas promete colocar países como o Brasil no centro das atenções mundiais. Um olhar sobre isso nos permite concluir que mercados emergentes estão adotando criptomoedas de forma mais rápida do que economias tradicionais, o que pode ser incentivado por um maior investimento em tecnologia e pelo maior acesso a plataformas digitais.
No caso nacional, o crescimento vem também sendo observado por dados divulgados pelo Banco Central do Brasil (BCB), que revelam que as operações com criptoativos estão aumentando de modo consistente ao longo dos últimos anos. Esse fenômeno, juntamente com os valores significativos movimentados e um maior investimento, são parte do que motiva o BCB a criar uma regulamentação relacionada com os ativos digitais.
Perfil dos usuários de criptomoedas no Brasil
Em quinto lugar no ranking mundial do uso de criptomoedas, o Brasil ganhou destaque internacional. Mas, afinal, quem está usando esse ativo? E quais são as transformações do mercado interno que estão permitindo esse uso?
O relatório Raio-X do Investidor de Ativos digitais, criado pelo Mercado Bitcoin brasileiro indica que os jovens se encontram entre os principais usuários de criptomoeda. Em 2025, segundo a pesquisa que estudou o comportamento e as operações dos usuários brasileiros na plataforma, o uso por jovens com até 24 anos cresceu 56% em relação ao ano anterior.
Além do interesse crescente dos jovens pelas criptomoedas, outros fatores também têm impulsionado o aumento do seu uso. Entre eles estão as soluções que aproximam o universo cripto do dia a dia das pessoas, como os cartões cripto. Essas soluções conectam as criptomoedas aos meios de pagamento tradicionais e eliminam grande parte das barreiras para utilizá-las em compras cotidianas, tornando o uso de cripto para gastos diários muito mais simples e acessível.
Também o avanço da infraestrutura financeira brasileira surge como fator relevante. Um exemplo é o sucesso do Pix, o sistema de pagamento instantâneo do BCB, que aproximou as pessoas das soluções financeiras digitais, abrindo espaço para uma maior aceitação de outros fenômenos digitais, incluindo as criptomoedas.
Vale a pena destacar que, segundo a mesma pesquisa, os usuários estão apostando cada vez mais na diversificação, sendo que 18% dos investidores optaram por investir em mais do que um criptoativo.
O anúncio do Banco Central Brasileiro sobre a regulamentação da criptomoeda e o crescimento das stablecoins no mercado são outros fatores a considerar na análise do crescimento do interesse dos brasileiros pelas criptomoedas.
Stablecoins e seu papel no interesse brasileiro
A expansão de stablecoins, as criptomoedas ligadas a moedas tradicionais, fez parte desse crescimento. O maior interesse institucional e a evolução da regulamentação do setor parecem influenciar positivamente o mercado nacional, gerando maior confiança, principalmente entre os investidores que buscam soluções de investimento menos voláteis.
A criação de uma regulação para os ativos digitais, com a Lei nº 14.478/2022, pode, segundo o Banco Central do Brasil, ser um passo relevante para acentuar o crescimento do uso das criptomoedas no país, ao criar um ambiente mais transparente e claro para os investidores e as empresas nacionais. Assim, segundo as entidades competentes e os especialistas, é previsível que o crescimento no uso de criptomoedas no Brasil se consolide ao longo dos próximos anos.
Em suma
Cada vez mais brasileiros estão investindo e utilizando criptomoedas, o que está consolidando o posicionamento do país entre os mercados mais relevantes para esse ativo digital.
Se espera que, nos próximos anos, a tendência para essa digitalização da moeda seja reforçada por novos modos de utilização cotidiana.
Caso essa tendência efetivamente se mantenha e a regulação do setor avance, o Brasil poderá consolidar sua posição entre os principais mercados financeiros digitais a nível global, principalmente se continuarem surgindo formas de utilizar esses ativos digitais no cotidiano, de forma simples e intuitiva.