Atualmente, o tratamento preventivo é oferecido gratuitamente em mais de 20 equipamentos de saúde em diversas regiões administrativas, de forma confidencial e segura. O Ministério da Saúde avalia a cobertura por meio do indicador de razão PrEP, que relaciona o número de pessoas em uso da medicação para cada novo caso de HIV. A meta mínima para implementação da estratégia é de 3,0, ou seja, três pessoas em PrEP para cada caso novo.
O Distrito Federal iniciou a oferta da PrEP em 2018, inicialmente restrita ao Centro Especializado em Doenças Infecciosas (Cedin). Em 2023, houve descentralização para a Atenção Primária à Saúde (APS), principal porta de entrada do Sistema Único de Saúde (SUS). Posteriormente, enfermeiros e farmacêuticos da APS foram capacitados para prescrever o tratamento, função antes exclusiva de médicos.
Camila Damasceno, referência técnica distrital em Medicina de Família e Comunidade, destaca que o modelo do DF é reconhecido nacionalmente. “Hoje o Ministério da Saúde usa o Distrito Federal como exemplo de expansão da PrEP, tanto pela ampliação da atenção primária quanto pela inclusão de outras categorias profissionais”, afirma. Em 2025, a estratégia passou a ser ofertada diretamente no sistema prisional do DF.
A PrEP agora é indicada para qualquer pessoa que deseje se proteger, sem contraindicações, integrando a prevenção combinada com uso de preservativo, testagem regular, vacinação contra infecções sexualmente transmissíveis e profilaxia pós-exposição (PEP) em casos de suspeita de exposição.
Damasceno ressalta que a ampliação do acesso deve contribuir para a redução de novos casos de HIV, como observado em São Paulo, onde houve queda de cerca de 45% em menos de dez anos, com a PrEP como estratégia chave. Quando usada corretamente, a PrEP reduz em mais de 90% o risco de infecção, consistindo em comprimidos diários ou sob demanda, com poucos exames e efeitos colaterais mínimos.
A medicação está disponível em 26 equipamentos, incluindo 20 unidades básicas de saúde em regiões como Sobradinho, Planaltina, Paranoá, São Sebastião, Gama, Santa Maria, Cruzeiro Novo, Lago Sul, Asa Norte, Asa Sul, Águas Claras, Recanto das Emas, Candangolândia, Estrutural, Guará, Brazlândia e Ceilândia; policlínicas de Planaltina, Ceilândia, Taguatinga e Gama; Farmácia Escola do Hospital Universitário de Brasília (HUB); e o Cedin.
Desde o início da distribuição até fevereiro deste ano, 7.646 pessoas iniciaram a PrEP no DF, com 5.654 tendo dispensas nos últimos 12 meses e 1.522 descontinuadas. Dos casos, 68% vêm de serviços públicos e 32% de privados. O perfil majoritário é de gays e homens que fazem sexo com homens (89,6%), na faixa etária de 30 a 39 anos (45,8%), autodeclarados brancos (50%) e com 12 anos ou mais de escolaridade.
A PrEP é disponibilizada a partir de 15 anos e 35 kg, sem necessidade de autorização parental para adolescentes, após consultas e exames. O HIV é transmitido principalmente por fluidos corporais em relações sexuais sem proteção, compartilhamento de seringas e de mãe para filho durante gestação, parto ou amamentação, se não houver assistência oportuna.