Os países da UE vão debater seu acordo de associação com Israel a pedido de vários deles, entre os quais a Espanha, informou, nesta segunda-feira (20), a chefe da diplomacia do bloco, Kaja Kallas, que expressou cautela sobre o resultado dessas conversas.
“Alguns Estados-membros puseram isso sobre a mesa”, declarou Kallas aos jornalistas na véspera de uma reunião, em Luxemburgo, dos ministros das Relações Exteriores da UE.
O presidente do governo da Espanha, o socialista Pedro Sánchez, anunciou no domingo que pedirá à UE que “rompa” seu acordo de associação com Israel, por considerar que o governo israelense de Benjamin Netanyahu “viola o direito internacional” com suas campanhas militares.
“A Espanha levará à Europa a proposta de que a União Europeia rompa seu acordo de associação com Israel”, porque um governo “que viola o direito internacional (…) não pode ser parceiro da União Europeia”, disse o presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, em um comício.
Esse acordo de associação exige a unanimidade dos 27 membros da UE.
A Comissão Europeia também propôs uma suspensão parcial, deixando em suspenso o capítulo comercial do acordo, decisão que pode ser adotada por maioria qualificada dos países da UE.
Questionada sobre esse ponto, Kallas indicou que é preciso “avaliar se é possível avançar” nas medidas comerciais, “se os Estados-membros desejarem fazê-lo”, e que o assunto será debatido na terça-feira.
A suspensão do acordo comercial já foi proposta no bloco, mas sem que se chegasse a um acordo por falta de maioria, devido às reticências de vários Estados-membros, entre eles a Alemanha.
No entanto, a deterioração da situação na Cisjordânia e a ofensiva lançada por Israel no Líbano levaram vários países a voltar a colocar o tema sobre a mesa.
Os chefes da diplomacia dos 27 também voltarão a debater as sanções contra os colonos extremistas na Cisjordânia, bloqueadas há meses pelo veto da Hungria.
“Acho que a violência dos colonos e as atividades dos colonos não têm precedentes. Nunca vimos nada parecido antes”, afirmou, por sua vez, o primeiro-ministro da Autoridade Palestina, Mohamed Mustafa, ao lado de Kallas.
Vários países da UE esperam que a situação seja destravada após a derrota eleitoral, em 12 de abril, do primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán.
“Não falarei em nome do novo governo, mas certamente acho que podemos examinar todas essas políticas e ver se elas têm uma nova abordagem”, declarou Kallas.