Produtores rurais de Sobradinho são capacitados para combater incêndios florestais

Moradores de áreas rurais de Sobradinho participaram, nesta quarta-feira (29), de uma oficina de primeiro combate a incêndios em vegetação. A capacitação foi promovida pelo Corpo de Bombeiros Militar do DF em parceria com a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater-DF) e ocorreu no Assentamento Chapadinha. A ação integra a Operação Verde Vivo, voltada para a prevenção e o enfrentamento de incêndios florestais no período de estiagem.

A atividade combinou orientações teóricas e práticas em campo, com foco em quem vive ou trabalha em regiões vulneráveis ao fogo. As aulas teóricas alertaram sobre os perigos das queimadas e a importância do uso de equipamentos de proteção individual (EPIs). Na parte prática, os participantes aprenderam técnicas como abertura de aceiros, uso de abafadores e operação de bombas costais, além de identificação de riscos nas propriedades e alternativas ao uso do fogo.

Segundo o tenente Michel Aquino, integrante do Fórum de Prevenção a Incêndios Florestais, a proposta é capacitar a comunidade para agir nos primeiros momentos de um incêndio, reduzindo danos ambientais, prejuízos à produção e riscos à segurança das famílias. “Falamos da segurança no combate aos princípios de incêndio para evitar acidentes com os trabalhadores rurais e depois sobre como o incêndio se comporta e como preveni-lo com linhas de defesa. E sempre orientamos que, caso as chamas já estejam maiores em intensidade de calor e radiação, não é seguro combater. É melhor evacuar a área do que correr o risco”, explicou o militar. Aquino destacou ainda a importância da capacitação, pois queimas de poda e outros resíduos estão entre as principais causas de incêndios na região, e pediu para que a população evite essa prática.

Entre os participantes, Keila Rodrigues Reis Silva, de 38 anos, presidente da Associação Ecoagrovila Renascer, mobilizou moradores da região. “Todos os anos a gente sofre muito com as queimadas aqui, esse curso foi muito importante para ensinar a comunidade a combater os incêndios e evitar que o fogo comece dentro das propriedades”, afirmou.

O aposentado José Ribamar da Silva Vilar, de 77 anos, ressaltou: “Apagar fogo tem que ter prática porque entrar sem saber o que fazer pode até piorar a situação e trazer risco para a própria pessoa”. A aposentada Maria das Graças Santos Paiva, de 74 anos, completou: “Aprendemos que temos que combater o fogo da forma certa para não nos colocarmos em perigo”.

O extensionista rural da Emater-DF na região, Gerlan Teixeira Fonseca, destacou os impactos das queimadas: “A queimada reduz matéria orgânica, destrói micro-organismos e acarreta na redução de fertilidade natural do solo. Com isso, até a água reduz na região, com o tempo. Fora o prejuízo à vida humana, nos casos em que produtores e brigadistas já ficaram bastante machucados em função do fogo”.

Dados da Operação Verde Vivo indicam que, entre maio e outubro de 2025, o Distrito Federal registrou 6.488 ocorrências de incêndio florestal, uma redução de 24% em relação ao mesmo período de 2024, quando foram 8.545 casos. A área queimada diminuiu de 36,1 mil hectares para 25,7 mil hectares, uma queda de 28,7%.

Apesar da redução, cerca de 95% da área atingida resultou de fogo não controlado, o que reforça a necessidade de ações educativas como a de Sobradinho. O cenário é agravado pelas condições climáticas do DF durante a estiagem, de junho a setembro, com baixa umidade, altas temperaturas e ventos que favorecem a propagação do fogo.

A Operação Verde Vivo ocorre de abril a novembro e inclui prevenção, monitoramento e resposta rápida. Em 2025, foram realizadas 31 atividades de capacitação, com cerca de 1.926 participantes em todo o DF.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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