Bolsa fecha em queda com dados de inflação e tensão no Oriente Médio; dólar fica estável

Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra no Irã; Bolsas na Europa e na Ásia caem
Wall Street reverte perdas após falas de Trump sobre guerra – Reprodução

A Bolsa de Valores fechou em queda de 0,75%, a 180.342 pontos, nesta terça-feira (12), com dados de inflação no Brasil e EUA aumentando a cautela dos investidores.

A escalada das tensões na guerra do Oriente Médio e as incertezas sobre um possível desfecho do conflito também pressionaram o pregão, impulsionando um movimento de correção no mercado doméstico.

O dólar teve variação tímida, próximo da estabilidade. A moeda norte-americana encerrou o dia em alta de 0,03%, a R$ 4,893.

No Brasil, dados da inflação divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta manhã foram o principal destaque. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou a 0,67% no mês passado, após subir 0,88% em março.

O grupo alimentação e bebidas seguiu pressionando o índice, assim como a gasolina, influenciados pela alta de custos da guerra no Irã.

O IPCA serve de referência para a condução da política de juros do BC. Como a inflação deu sinais de trégua antes da guerra no Irã, o BC passou a cortar a taxa Selic, que caiu a 14,5% ao ano em abril. O conflito, contudo, segue sem resolução e, conforme analistas, deve afetar o ciclo de cortes dos juros.

Para André Valério, economista sênior do Inter, o resultado reforçou a necessidade de cautela no Copom (Comitê de Política Monetária). “Apesar da desaceleração, ainda vemos fatores que ensejam cuidado na condução da política monetária. A indefinição acerca do conflito aumenta a pressão nos preços, o que pode gerar contaminação no restante do índice”.

Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, vê o resultado consolidando a leitura de que o BC (Banco Central) deve seguir com um ritmo de cortes mínimos nos juros. Para ele, há impacto nas empresas brasileiras, que têm sofrido com a queda mais lenta da Selic.

“As companhias estão divulgando seus balanços trimestrais, e o pagamento elevado de juros tem pesado nos resultados”, afirma.

Nesta terça-feira, o Grupo Toky, dono das redes de móveis e decoração Tok&Stok e Mobly, entrou com pedido de recuperação judicial em meio ao agravamento de sua crise financeira. A solicitação fez com que as ações da empresa derretessem até 45%.

Outra empresa com resultados negativos foi a Natura, que registrou aumento no prejuízo líquido no 1º trimestre. As ações chegaram a cair 7% ao longo do dia.

Na ponta positiva, Braskem, beneficiada por uma recomendação para compra do banco JP Morgan, e Hapvida, com balanço considerado superior a projeção de analistas, foram os destaques. As ações da petroquímica e da operadora de saúde chegaram a subir 29% e 16%, respectivamente.

Nos EUA, resultados econômicos também repercutiram entre analistas, com a divulgação do CPI (índice de preços ao consumidor, na sigla em inglês) de abril.

A inflação do país avançou para 3,8% no mês, seu maior nível em três anos, no acumulado anual, com a pressão da guerra no Irã. A alta foi impulsionada principalmente pelos preços mais altos nos combustíveis, com a gasolina subindo 28,4% em relação ao ano anterior.

A inflação, divulgada nesta terça-feira (12), é a mais alta desde maio de 2023, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia gerou um choque energético no país.

Para Nickolas Lobo, especialista em investimentos da Nomad, o processo de redução da inflação norte-americana permanece com barreiras. O cenário deve aumentar a cautela do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).

“Este cenário afasta as expectativas de uma normalização monetária rápida, uma vez que a disseminação da alta de preços em serviços e bens exige que o banco central americano mantenha condições restritivas por mais tempo”, afirma.

No cenário internacional, analistas ainda repercutem a escalada de tensões entre EUA e Irã.

Na segunda-feira, o presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que o cessar-fogo no Oriente Médio “respira por aparelhos”, após rejeitar a contraproposta do Irã para encerrar a guerra.

Trump comparou a situação à de um paciente em estado terminal. “É como quando o médico entra e diz: ‘Senhor, seu ente querido tem exatamente 1% de chance de sobreviver’”, afirmou a jornalistas na Casa Branca.

No domingo (10), Trump rejeitou a contraproposta iraniana e classificou o documento como “totalmente inaceitável”. Segundo a imprensa iraniana, Teerã propôs o encerramento imediato da guerra, a suspensão do bloqueio naval imposto pelas forças americanas, garantias de que não haveria mais ataques, e o fim das sanções econômicas, incluindo as restrições de Washington à venda de petróleo do país persa.

Para Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research, o mercado reflete as questões geopolíticas.

“Depois de dias de um certo otimismo com um possível desfecho da guerra, temos uma frustração visto que Estados Unidos e Irã não chegaram a um acordo”.

No Brasil, o impacto da continuidade do conflito é misto. Por um lado, o aumento das incertezas ligadas ao petróleo pode gerar um movimento global de fuga de ativos voláteis para ativos seguros, o que prejudica mercados emergentes. Por outro, o real e a Bolsa brasileira são beneficiados pela distância do país em relação ao conflito e pela exposição do país ao petróleo, que está em alta.

O cenário de incerteza voltou a pressionar os preços do petróleo, em comportamento similar ao da véspera. Por volta das 17h30, a commodity avançava 3,49%, a US$ 107,85.

A alta também limitou a desvalorização da Petrobras após lucro da empresa ter queda de 7,2% no primeiro trimestre de 2026. As ações preferenciais da estatal recuaram 1,61% durante o dia.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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