Guerra pesa em IPCA de 0,67% em abril

Cesta básica sobe em 14 capitais brasileiras em fevereiro
Cesta básica sobe em 14 capitais brasileiras em fevereiro – Reprodução

Rio, 12 – Os efeitos do conflito no Oriente Médio voltaram a afetar em abril os preços de bens de consumo no Brasil, como combustíveis e alimentos, segundo dados do IPCA divulgados ontem pelo IBGE. Pesaram também os reajustes de medicamentos, gás de botijão e energia elétrica.

Indicador oficial da inflação no País, o IPCA desacelerou de 0,88%, em março, para 0,67% em abril. Porém, o resultado foi o mais elevado para o mês desde 2022. Como consequência, a taxa acumulada em 12 meses acelerou pelo segundo mês consecutivo: de 4,14%, em março, para 4,39% – ainda dentro da margem de tolerância da meta (4,5%), mas cada vez mais longe do seu centro (3%).

Segundo analistas, a expectativa para o segundo trimestre é de preços ainda pressionados, não apenas por conta do choque do petróleo sobre os combustíveis, mas também pelos efeitos esperados com o El Niño sobre os preços do alimentos.

Algumas casas já reviram suas projeções para ano – caso do banco ABC Brasil, que espera um IPCA de 4,9% até dezembro, e do ASA, que levou sua projeção de 5% para 5,3%. O Itaú Unibanco fala em “balanço de risco assimétrico para cima”, enquanto o Santander diz que o IPCA em 12 meses deve ultrapassar o teto da meta já na divulgação referente a maio.

O resultado também consolidou a percepção de que o Banco Central não deve acelerar o atual processo de “calibragem” dos juros. “Não há espaço de uma aceleração agora, mas para seguir com cortes de 25 (pontos-base, ou 0,25 ponto porcentual). Mas, se persistir o que a gente está vivendo (incerteza sobre a guerra), pode ter de parar antes (o ciclo de cortes nos juros)”, disse o economista-chefe do banco Bmg, Flavio Serrano.

Posição semelhante tem Roberto Secemski, economista-chefe para Brasil do Barclays: “O BC pode ser forçado a pausar seu ciclo de calibragem mais cedo ou mais tarde caso a deterioração recente nas métricas de núcleo (da inflação) continue, enquanto os efeitos diretos do conflito no Oriente Médio ainda se desdobram “

VARIAÇÕES. Como efeito mais direto do conflito no Oriente Médio, houve elevação no custo da gasolina em abril, citou Fernando Gonçalves, gerente do IPCA no IBGE. Aumento de 1,86% na gasolina em abril exerceu a maior pressão sobre a inflação, com contribuição de 0,10 ponto. O óleo diesel avançou 4,46% e o etanol subiu 0,62%, enquanto o gás veicular recuou 1,24%. Na média, os combustíveis encareceram 1,80% em abril.

“O diesel acaba tendo pressão também porque é combustível do caminhão, que faz transporte dos produtos para as prateleiras”, disse Gonçalves. Ontem, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, disse que a gasolina nas refinarias deve aumentar “já, já”.

Os alimentos estão entre os produtos que tiveram aumento de preços como impacto indireto da guerra, via frete mais caro, embora também tenha havido pressão de menor oferta em alguns itens. Os preços dos alimentos para consumo em casa subiram 1,64% em abril, quinto mês de aumentos consecutivos. Houve altas na cenoura (26,63%), leite longa-vida (13,66%), cebola (11,76%) e tomate (6,13%). “Vários desses itens estão com restrição de oferta”, disse Gonçalves.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF

Uma reportagem da emissora americana Fox News publicada nesta segunda-feira (11) revelou

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