A Secretaria de Segurança Pública do DF lançou a campanha “Reencontrar” junto com o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). O foco da iniciativa é combater o desaparecimento infantil e preparar a comunidade, pais, responsáveis e escolas para agirem o mais rápido possível em casos do tipo. A ação foi inaugurada no dia 25 de maio, a data marca o Dia Internacional das Crianças Desaparecidas e o Dia Distrital da Criança Desaparecida. O lema da campanha é: “Quem ama, não espera. Avisar rápido salva”.
O evento de abertura ocorreu no Colégio Cívico-Militar Centro Educacional (CED) 07 de Ceilândia. A partir do lançamento, a campanha segue ao longo da semana com uma grande mobilização em escolas públicas do Distrito Federal. As atividades da iniciativa contam com distribuição de materiais educativos, como adesivos, bottons e folders, em 25 unidades escolares. Dessas, oito receberão palestras sobre prevenção ao desaparecimento e orientações sobre como agir em situações de risco, entre os dias 25 e 29 de maio. As unidades foram selecionadas com base na localidade, por serem regiões administrativas com maior registro de casos de desaparecimento infantil.
O papel da prevenção no ambiente escolar
A promotora de justiça do Núcleo de Direitos Humanos (NDH), Polyanna Silvares, que também é gestora do programa de localização e identificação de desaparecidos do MPDFT, destacou que o Ministério Público já vem há alguns anos fomentando a política pública de desaparecimentos do Distrito Federal, como um todo. Entretanto, o órgão se uniu com a SSP DF nesta campanha, para falar especificamente sobre o desaparecimento de crianças e adolescentes. “Para evitar o desaparecimento delas e para que a gente possa fazer com que o Estado localize essas crianças e esses adolescentes de formas mais rápidas.”
Polyanna apontou que a campanha está levando para as escolas debates sobre os porquês do desaparecimento e o que é preciso fazer para prevenir que esses menores desapareçam. “E o que a comunidade escolar e a sociedade pode fazer para que o Estado possa localizar essas crianças de uma forma mais rápida.” A resposta, como Polyanna indicou, é que os pais, professores e amigos, busquem o Estado em menos de 24 horas, além de ficarem atentos para identificar uma potencial situação de desaparecimento.
O mito das 24 horas
A promotora salientou que essa falácia de que só se pode procurar as autoridades depois de 24 horas é coisa de filme estrangeiro. “Isso de que as pessoas esperam 24 horas, três dias, não é recomendado. Quanto mais rápido a gente procurar as autoridades, a chance aumenta muito de encontrar. Por isso, teve notícia de que alguém não está sendo localizado, não atendeu o telefone, tem uma situação de risco envolvida, avisa a autoridade.” A orientação é para que a pessoa procure a delegacia de polícia mais próxima, ou também que avise na escola. “Ainda que seja uma pessoa que saiu com coleguinha, só que você não sabe o paradeiro, é bem importante que todo mundo avise muito rápido”, finalizou.
Ao também alertar sobre o tempo de espera para entrar em contato com as forças de segurança, Alexandre Patury, secretário da pasta de Segurança Pública do DF, frisou a importância da campanha, mesmo que a região tenha o maior índice de encontro de pessoas desaparecidas do país: “A gente não pode comemorar tendo 98%, 99% de índice sendo que 1% ainda não foi encontrado. Então a gente pede a ajuda da população, principalmente no que se refere ao tempo. Aquela conversa de que espere 24 horas, isso não existe. Uma pessoa desapareceu e você percebeu o desaparecimento, comunique imediatamente. Se puder, ligue para o 190, porque a Polícia Militar na rua ostensiva pode tentar localizar por algumas características”, frisou.
Ele ressaltou que é preciso procurar uma delegacia da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) para registrar ocorrência e levar fotos. “A partir daí a gente pode subir no DF 360, que é o nosso serviço de videomonitoramento, que inclusive tem um reconhecimento facial nas principais vias.”
Integração e parceria com a sociedade
Para promover a conscientização sobre a rapidez em contatar as autoridades, Alexandre destacou a integração para além do poder público: “No Ifood, quando você fizer agora o seu pedido, lá vai aparecer um iconezinho pedindo para que a pessoa não espere 24 horas.” Para o secretário, ele explicou que é uma atitude importante vinda de uma empresa privada, porque pode ajudar a furar a bolha da informação. “E quando você tem a participação social, a participação dos empresarios, qualquer empresário que quiser participar a gente aceita essa ajuda, porque assim a gente consegue ter uma maior capilaridade para divulgar.”
Ele lembrou ainda que o projeto Reencontrar aplicado nas escolas é essencial, porque a Segurança Pública não se resolve só com polícia, mas com educação, cultura e esporte.
Crianças desaparecidas
O dia 25 de maio foi escolhido para sensibilizar a sociedade, estimular ações ágeis de investigação e orientar as famílias sobre como agir nesses casos de desaparecimento. Em setembro de 2025, o Decreto nº 47.653 instituiu a Semana de Mobilização Distrital para a busca e defesa de crianças desaparecidas.