Felipe Gutierrez
Folhapress
A mineradora brasileira de terras raras Serra Verde foi adquirida pela americana USA Rare Earth e fechou um contrato que prevê preços mínimos para dois elementos, disprósio e térbio, que terão cotações garantidas.
O acordo garantirá receitas mais previsíveis, abrindo caminho para investimentos mais seguros, disse o presidente da companhia, Ricardo Grossi, que é também COO (diretor de operações).
Historicamente, segundo Grossi, esses produtos são vendidos por preços que não refletem seu valor real. “Passamos a ter maior visibilidade de receitas e condições mais seguras para investir, preservando a participação em qualquer valorização acima desses níveis”, disse.
A USA Rare Earth anunciou na segunda-feira (20) a compra da Serra Verde, mineradora de terras raras em operação no estado de Goiás, por US$ 2,8 bilhões. O pagamento será em dinheiro e ações, e a conclusão da transação está prevista para o terceiro trimestre de 2026.
Terras raras são 17 elementos químicos de difícil extração e refino. Alguns são importantes para a indústria de ímãs para veículos elétricos, energia renovável e sistemas de defesa.
Também está previsto um contrato de compra antecipada da produção que está programada para ocorrer no futuro. Nos próximos 15 anos, toda a extração da primeira fase da mina Pela Ema, na cidade de Minaçu (GO), será vendida a uma empresa de propósito específico capitalizada pelo governo dos EUA.
Para Grossi, o acordo dá à companhia a previsibilidade comercial e “uma base sólida de receitas, reduz o risco ao longo do ciclo”.
A meta inicial é atingir produção de cerca de 6.400 toneladas de óxidos de terras raras até o fim de 2027. Ainda se avalia a possibilidade de uma expansão para dobrar a capacidade da mina.
Grossi também afirmou que a equipe brasileira manterá papel na operação após a aquisição. O trabalho na mina em Minaçu continuará a ser liderada localmente, com foco no ramp-up (aumento gradual da produção), segundo ele.
Como toda a produção da fase inicial já está comprometida com o contrato de longo prazo, uma eventual demanda brasileira pelo material não poderia ser atendida por ora. Grossi reconheceu a limitação, mas sinalizou que o cenário deve mudar: “À medida que a empresa evoluir, incluindo com uma potencial expansão futura, as possibilidades de atender diferentes mercados e clientes também irão, naturalmente, se ampliar”.
O executivo também descartou a necessidade de aprovação do governo brasileiro para o contrato. “Acordos de offtake (compra garantida) são muito comuns e fazem parte normal de muitas indústrias, incluindo a mineração e a agricultura”, afirmou.