Afeganistão conversa com Ocidente cinco anós após vitória talibã

Há cinco anos, em 15 de agosto de 2021, os talibãs ocupavam a capital afegã enquanto os americanos retiravam suas tropas — o fim da guerra mais longa já travada pelos Estados Unidos. Desde então, o regime de Cabul confirmou a aposta que fizera contra seus inimigos durante duas décadas de conflito.

Enquanto combatiam os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), os insurgentes lembravam aos adversários que eles tinham “os relógios” — a tecnologia — e que os talibãs possuíam a arma superior: “o tempo”. A máxima vale para o cenário internacional: sem concessões substantivas em direitos, o regime reconquistou espaço e agora negocia com capitais ocidentais em nome do combate ao terrorismo e da gestão migratória.

País foi pacificado pela força e pelo cansaço

Segundo a The Economist, o país foi pacificado pela força e pelo cansaço. A bandeira preta e branca do Talibã voa em praças, campos de trigo e checkpoints remotos. Nas cidades que um dia ecoaram atentados suicidas, o clima é de calma. “Este é o segundo verão em que os pássaros voltaram a Cabul”, diz um ex-funcionário do governo.

Os números sustentam a percepção. Segundo o South Asia Terrorism Portal, menos de 100 civis morreram em ataques terroristas em 2025. O regime sufocou a província de Khorasan do Estado Islâmico, e a Al-Qaeda encolheu no país, segundo a The Economist