Alego analisa honraria a físico que identificou o Césio-137

A Assembleia Legislativa de Goiás (Alego) analisa, desde o fim do último mês, a concessão de Título Honorífico de Cidadania Goiana ao mineiro Walter Mendes Ferreira. Trata-se do físico responsável por identificar o acidente com o césio-137 em 1987, em Goiânia.

Em setembro daquele ano, Walter foi chamado para verificar substância deixada na Vigilância Sanitária. Para isso, ele contou com um aparelho de medição de radiações ionizantes. Com a descoberta, ele descobriu o risco e recomendou a evacuação imediata. Houve, então, a notificação da Comissão Nacional de Energia Nuclear (Cnen) e depois da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA). Hoje, Walter tem 73 anos e é chefe da Divisão de Emergências Radiológicas da Cnen.

A proposta que homenageia o físico, que vive em Goiânia desde 2020 com a família, é do deputado estadual Paulo Cezar Martins (MDB). Segundo o parlamentar, Ferreira teve papel fundamental à época. “Sua atuação técnica revelou-se decisiva para o reconhecimento da gravidade do episódio, contribuindo diretamente para o acionamento das autoridades competentes, para a contenção da contaminação e para a adoção das primeiras medidas emergenciais de proteção à população goiana”, diz trecho da justificativa.

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O emedebista diz, ainda, que “o homenageado apresenta histórico de relevantes serviços prestados à sociedade brasileira, especialmente ao povo goiano, atuando com ética, responsabilidade técnica e elevado espírito humanitário em um momento de extrema gravidade sanitária, ambiental e social”. Para ele, a presença do físico no estado também é uma demonstração permanente da memória histórica, da ciência e conscientização sobre os impactos decorrentes do acidente radiológico.

Assim, ele defende que a concessão do título “constitui ato de justiça histórica, reconhecimento institucional e valorização de um profissional que contribuiu significativamente para a proteção da população goiana em um dos momentos mais delicados da história do Estado”. Atualmente, o texto está na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Alego.

Tragédia

Em 13 de setembro de 1987, Goiânia foi palco do maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear, envolvendo o Césio-137. O episódio teve início quando dois catadores de recicláveis, Roberto dos Santos e Wagner Mota Pereira, encontraram um aparelho de radioterapia abandonado no Instituto Goiano de Radioterapia.

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Ao desmontá-lo, liberaram uma cápsula de Césio-137, um isótopo radioativo altamente perigoso. O material se espalhou rapidamente, contaminando centenas de pessoas e causando mortes e sequelas irreparáveis.

Uma parte da peça foi levada para o ferro-velho de Devair Ferreira, que abriu a cápsula e encontrou o pó radioativo. Devair mostrou a novidade para vizinhos, amigos e familiares. Dias depois, as pessoas começaram a ter tontura, vômitos e diarreia, principalmente Devair e sua esposa Maria Gabriela.

Ivo Ferreira, irmão de Devair, levou um pouco do pó para a sua filha, Leide das Neves, de apenas 6 anos. A menina posteriormente foi jantar, ingerindo o Césio-137 por meio da refeição. Ela não sobreviveu. Maria Gabriela levou a peça até a Vigilância Sanitária, contribuindo com a contaminação de mais pessoas, pois o trajeto foi feito de ônibus.

O alerta e a contaminação generalizada

Apenas em 29 de setembro de 1987 foi dado o alerta que todas essas áreas foram atingidas por radiação. A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) pediu para que os moradores fossem transferidos para um esquema de triagem no Estádio Olímpico. Mais de 112 mil pessoas foram colocadas em quarentena e submetidas a intensos banhos para descontaminação.

O acidente resultou em quatro mortes confirmadas: Maria Gabriela Ferreira, Leide das Neves Ferreira, Israel Baptista dos Santos e Admilson Alves de Souza. Além disso, 249 pessoas apresentaram contaminação significativa, sendo monitoradas e tratadas por equipes médicas especializadas. Mais de 110 mil pessoas foram acompanhadas. Centenas de locais, incluindo residências, ruas e veículos, foram desinfectados ou removidos devido à contaminação. A cidade de Goiânia enfrentou um processo complexo de descontaminação, com a remoção de solo e materiais contaminados.

T CSM
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