Às vésperas do Dia D: BRB consegue contornar crise

Especialistas ouvidos pelo Jornal de Brasília avaliam que o acordo sinaliza um cenário positivo para o banco distrital. O mestre em finanças e professor do Ibmec, Marcos Melo, explica que há um melhor ambiente para o crescimento da instituição no mercado. 

“O BRB vai ter a possibilidade de diminuir o problema mais imediato. Este é um cenário positivo para que a instituição possa resolver seus problemas imediatos e diminui muito o risco de liquidação e até mesmo poder voltar a crescer no futuro”, defende. 

O acordo está previsto para ser selado definitivamente entre as partes nesta quinta-feira, um dia antes do prazo para apresentação do balanço, que, caso não seja cumprido, pode levar à liquidez do banco. Na avaliação do professor, esta será uma boa proposta se, de fato, sair da forma como tem sido negociado. Apesar do cenário favorável, isso não significa que o risco de liquidação está fora do radar. 

“O que está se tentando fazer é resolver um problema mais imediato de patrimônio para que se possa permitir ao banco se reestruturar financeiramente e, assim, voltar a fazer novos negócios, atuar no mercado financeiro, vender seus produtos e gerar receita e lucro novamente. Isso não significa que o risco de liquidação deixe de existir, mas certamente ele fica bastante menor”, explica. 

O BRB deveria ter apresentado o balanço dos últimos trimestres de 2025 e o primeiro de 2026 ainda em março, mas, com o agravamento da crise e a incerteza sobre o futuro do banco, o prazo foi estendido para esta sexta-feira (29). Com essa prorrogação, a instituição financeira teve algumas consequências, como o pagamento de multas a cada dia de atraso. 

Na visão do economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo, mesmo com o processo em negociação, ainda existem riscos. Segundo ele, a parte judicial já foi contornada, o que é um bom sinal. 

“Existem alguns aspectos que vão ter que ser observados. Mas do ponto de vista do encaminhamento da proposta, está bem encaminhada a questão das garantias. É uma grande alternativa que foi buscada, é muito positivo”, argumenta.

Pressão nos cofres públicos 

Liquidação no radar 

Bergo compartilha da mesma avaliação. Segundo o professor, também é necessário se atentar ao problema patrimonial. “A questão da liquidez se resolveu com aquele R$ 1 bilhão que recebeu da Quadra [Capital] e com mais esse R$ 1 bilhão do BTG Pactual. Isso atenua o momento com relação à liquidez, mas não resolve a questão patrimonial. A questão patrimonial vai ser resolvida com aporte de capital. A partir do momento que o BRB apresenta os balanços e solucionar essa questão”, analisa.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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