Não é incomum para quem anda pelas ruas da capital se deparar cada vez mais com carros elétricos em meio aos tradicionais veículos a combustão. A tendência é que os elétricos façam ainda mais parte do dia a dia no Distrito Federal. O crescimento na venda desses veículos tem sido expressivo em Brasília. Segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE), entre comparando o período entre janeiro e junho de 2025 e 2026, houve um aumento de 113% nas vendas de veículos elétricos na capital. Foram 8.483 vendidos nesse período no ano passado contra 18.131 no mesmo período neste ano.
Brasília é a segunda cidade do Brasil que mais vendeu carros elétricos em 2026, atrás apenas de São Paulo com 22.566 vendas. O número de vendas na capital tem crescido exponencialmente de acordo com a série da ABVE. Desde 2022, Já foram 64.682 veículos elétricos vendidos, cerca de 8,5% das vendas totais no país. Segundo a associação, o protagonismo brasiliense no mercado de eletrificados consolida uma tendência de descentralização da eletromobilidade para além do eixo Sudeste-Sul.
A ABVE avalia que o crescimento da eletrificação em Brasília está ligado ao forte apelo pelos veículos elétricos plug-in, principalmente da categoria BEV – a qual usam apenas eletricidade para se locomover – e PHEV, veículos híbridos. Um dos motivos que tem contribuído para a procura pelos eletrificados no DF segundo a ABVE é a isenção de IPVA para quem possui veículos desse tipo. “Brasília colhe os resultados de uma política clara de incentivo ao carro elétrico que já tem alguns anos, principalmente a isenção de IPVA”, comentou Ricardo Bastos, presidente da ABVE. “A resposta do consumidor a esses incentivos foi rápida e contundente, transformando a cidade na nova capital nacional do veículo elétrico”, acrescentou.
Montadoras também passaram a enxergar no DF um enorme potencial para alavancar o mercado de eletrificados. A BYD, por exemplo, destacou que a confiança do consumidor de Brasília na eletrificação é uma opção viável e vantajosa. “O ranking nacional da ABVE posiciona Brasília como a segunda região mais estratégica do País para a eletrificação da frota. O resultado reflete o perfil do consumidor local, mais aberto à inovação e à adoção de novas tecnologias, além da infraestrutura de recarga em expansão na cidade. A BYD tem investido continuamente na região, ampliando sua rede de distribuição e seu portfólio de modelos para atender diferentes perfis de consumidor, da mobilidade popular ao segmento de luxo”.
Combustão dá lugar à energia elétrica
A BYD avalia que a migração para veículos eletrificados é impulsionada principalmente pela economia gerada no uso diário, já que o custo por quilômetro rodado é significativamente menor em comparação aos modelos a combustão. No DF, são vários os exemplos de motoristas que fizeram a substituição. Lucas Mendonça, de 36 anos, foi um deles. Publicitário, ele contou ao Jornal de Brasília porque optou por trocar o tradicional carro a combustão por um elétrico. O corte de gastos com abastecimento foi um dos principais motivos.
“Eu não tenho gasto mais com gasolina. Acho que já tem 2 anos que eu não piso em um posto de combustível para botar gasolina.Tendo uma rotina de carregamento de uma vez por semana, a gente consegue viver aqui na cidade, consegue fazer as demandas do nosso dia a dia aqui”, contou Lucas. Ele fez a troca há dois anos e relatou que não pensa em voltar a usar veículos a combustão. Na avaliação dele, a capital ainda passa por um momento de adequação para o crescimento da frota de elétricos.
“A gente tem uma deficiência na cidade em si de postos de carregamento. Acho que a gente ainda está passando por esse processo de adequação mesmo da parte elétrica, de como a gente vai carregar esse carro, porque realmente demanda bastante tempo dependendo do carregador”, comentou. O pai de Lucas, Luiz Mendonça, 69, também tem aderido à mudança aos poucos. “A em casa, eu tinha Passat de 2012. Ele fazia na faixa de 9km a 10 km o litro. Então eu comprei um híbrido, um Haval. É o de entrada, é o primeiro lá. Com 55 litros de gasolina, ele faz 840 km. Então, eu abasteço esse carro uma vez a cada 30, 40 dias. A relação dele ao custo benefício é fantástica”, disse. Para Luiz, os carros elétricos são o futuro da capital.
Somado à procura pela economia no abastecimento, conforme detalhou a BYD, a migração é impulsionada pela a menor necessidade de manutenção dos veículos elétricos, o desempenho superior proporcionado pela tecnologia e a crescente preocupação ambiental dos consumidores, cada vez mais preocupados com a sustentabilidade. “Além disso, muitos motoristas têm sido atraídos pela superioridade da experiência de condução e pelo forte apelo tecnológico dos modelos eletrificados. A busca por um trajeto extremamente silencioso, a entrega imediata de torque que proporciona acelerações ágeis e a redução drástica das vibrações mecânicas elevam consideravelmente o conforto diário no trânsito”, destacou a montadora.
Motoristas de app veem oportunidade
Os carros elétricos também caíram nas graças de quem usa o veículo para trabalhar, como é o caso de Joaquim Monteiro, 67, que roda com um elétrico como motorista de aplicativo desde o início do ano. Assim como Lucas, Joaquim trocou um carro a combustão, o HB20, por um elétrico, o BYD Dolphin. O objetivo também foi a economia. “Não tem comparação possível. A diferença é da noite para o dia. Eu posso te assegurar que vale a pena. Uma pessoa que tenha o carro elétrico pagando financiamento e que trabalha com aplicativo fica com mais grana no final do mês do que uma pessoa com carro quitado a gasolina que também roda com aplicativo”, declarou o motorista.
Segundo Joaquim, isso acontece porque grande parte do dinheiro que os motoristas ganham com as corridas vai no gasto com combustível. “Eu tinha um HB20 novo, o meu consumo médio mensal era de R$ 3.800 a R$ 4.000 trabalhando como motorista de aplicativo”, disse. Agora, com um elétrico, ele avaliou que tem um gasto muito menor. “Compensa sempre, mesmo se a pessoa abastecer em casa e abastecer um pouco na rua, que é o que eu faço, fica em uma média de 70% abaixo do custo de rodar com um carro a gasolina”.
Além disso, outro diferencial que ele percebeu foi relacionado à manutenção do veículo. “Com o carro a combustão de 10.000km em 10.000km tem que parar para fazer a revisão, seja ele novo ou não.Troca de óleo, filtros, etc. Com esse aqui não, a manutenção é com pelo menos 40.000km. Só ali na metade, na faixa dos 20.000km, você precisa ir na concessionária para verificar se tá tudo ok e trocar o filtro do ar-condicionado”, completou Joaquim.