09/01/2026

Caso Marielle: advogados de Brazão dizem à CCJ que prisão é ‘ilegal’ e defendem soltura

O deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) em imagem de setembro de 2023 — Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados

Defesa enviou manifestação ao colegiado da Câmara que discutirá o caso do parlamentar. Chiquinho Brazão foi preso sob a acusação de ter encomendado a morte da vereadora.

A defesa do deputado Chiquinho Brazão (sem partido-RJ) enviou nesta segunda-feira (8) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara uma manifestação em que diz que a prisão do parlamentar é “ilegal”. Os advogados também defendem, no documento, a soltura do cliente.

Chiquinho Brazão foi preso no dia 24 de março por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele e o irmão, o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro Domingos Brazão, são acusados de encomendar a morte da vereadora Marielle Franco.

Marielle e o motorista Anderson Gomes foram executados em 2018, no Rio de Janeiro. O policial militar reformado Ronnie Lessa afirmou, em delação premiada, que os irmãos Brazão foram os mandantes do crime, que teria sido motivado por questões fundiárias no Rio.

Além dos Brazão, o delegado Rivaldo Barbosa, da Polícia Civil do Rio, também foi preso – sob a acusação de que teria auxiliado no planejamento do crime e atrapalhado as investigações. Os três negam envolvimento com o crime.

Como Chiquinho Brazão é deputado, a Câmara dos Deputados precisa analisar o caso dele e decidir se mantém o parlamentar preso ou se o libera da prisão.

Em um primeiro momento, o tema será discutido na Comissão de Constituição e Justiça, que fará um parecer sobre a prisão, o que deve ocorrer na próxima quarta-feira (10). A palavra final, no entanto, cabe ao plenário da Câmara dos Deputados.

Em paralelo à análise da prisão pela CCJ, tramita no Conselho de Ética um pedido de cassação de Chiquinho Brazão. Uma sessão para analisar esse processo também foi marcada para a próxima quarta.

CCJ da Câmara adia análise sobre prisão do deputado Chiquinho Brazão

O que diz a defesa

No “memorial” (resumo do caso) que enviou a CCJ, a defesa de Chiquinho Brazão diz que a prisão do parlamentar ocorreu de forma “ilegal” e viola a Constituição, que diz que “desde a expedição do diploma, os membros do Congresso Nacional não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime inafiançável”.

“Não há qualquer estado de flagrância”, alegam os advogados.

A defesa também questiona se cabe ao STF analisar o caso. E afirma que o suposto envolvimento do parlamentar só surgiu nas investigações após as delações de Ronnie Lessa e do ex-policial militar Élcio Queiroz.

“Mesmo depois de seis anos de uma investigação de envergadura nacional, que contou com a colaboração institucional e internacional, diversas medidas cautelares e tomadas de depoimento, o nome do deputado Francisco Brazão só surgiu depois da celebração dos acordos de colaboração, o que apenas corrobora a manifesta ilegalidade da prisão”, afirmam os advogados.

No documento, a defesa cita artigo da lei das delações que diz que medidas cautelares, como a prisão preventiva, não podem ser tomadas somente com base em colaborações premiadas.

Tribuna Livre, com informação da defesa do deputado Chiquinho Brazão

Deixe um comentário

Leia também
Motta e Alcolumbre avaliam ter apoio suficiente para derrubar veto de Lula ao projeto da dosimetria, dizem aliados
Motta e Alcolumbre avaliam ter apoio suficiente para derrubar veto de Lula ao projeto da dosimetria, dizem aliados
Paulinho diz que Lula rasga a bandeira da paz ao vetar PL da Dosimetria
Paulinho diz que Lula rasga a bandeira da paz ao vetar PL da Dosimetria
Lewandowski entrega a Lula carta de demissão e deixará o Ministério da Justiça nesta quinta
Lewandowski entrega a Lula carta de demissão e deixará o Ministério da Justiça.
Ciro Nogueira descarta Tarcísio na Presidência, e PP concentra aposta em Flávio
Ciro Nogueira descarta Tarcísio na Presidência, e PP concentra aposta em Flávio
Caso Master: ao acolher pedido do BC, relator no TCU deixou clara sua insatisfação
Caso Master: ao acolher pedido do BC, relator no TCU deixou clara sua insatisfação
Após liberação de Moraes, Bolsonaro chega ao DF Star para novos exames médicos
Após liberação de Moraes, Bolsonaro chega ao DF Star para novos exames médicos
INSS: Lula sanciona lei que proíbe desconto automático em benefícios
INSS: Lula sanciona lei que proíbe desconto automático em benefícios
Ala do PT vê Andrei “fora do tom” para Ministério da Segurança Pública
Ala do PT vê Andrei “fora do tom” para Ministério da Segurança Pública
PGR pede arquivamento de inquérito contra senador flagrado com dinheiro na cueca
PGR pede arquivamento de inquérito contra senador flagrado com dinheiro na cueca
Sucessor de Bolsonaro, Flávio diz sofrer ameaças de morte
Sucessor de Bolsonaro, Flávio diz sofrer ameaças de morte
Subprocurador rejeita reversão da liquidação do Master por omissão do BC
Subprocurador rejeita reversão da liquidação do Master por omissão do BC
Moraes nega ida de Bolsonaro ao hospital; defesa insiste em pedido para realização imediata de exames
Moraes nega ida de Bolsonaro ao hospital; defesa insiste em pedido para realização imediata de exames

Motoristas já podem pagar pedágio com PIX na BR-060

Concessionária Triunfo Concebra implementa novo meio de pagamento nas praças de Goianápolis e Alexânia Motoristas que trafegam pela BR-060 têm uma novidade positiva. As praças de pedágio de Goianápolis e Alexânia, administradas pela concessionária Triunfo Concebra, passaram a aceitar pagamentos via PIX. A iniciativa é a mais recente medida adotada

Leia mais...

A sua privacidade é importante para o Tribuna Livre Brasil. Nossa política de privacidade visa garantir a transparência e segurança no tratamento de seus dados pessoais.