19/05/2024

Confrontos e prisões em universidades: Manifestações explodem nos EUA

As manifestações foram repetidas em várias universidades do país, na maior mobilização desde os protestos contra a Guerra do Vietnã, nas décadas de 1960 e 1970 - (crédito: Getty Images via AFP)

Grupos pró e contra guerra em Gaza se enfrentam em Los Angeles, enquanto mais de 300 pessoas são presas em Nova York durante retomada de prédio de Columbia. Casa Branca lamenta que “pequeno percentual” de ativistas cause distúrbios

Inicialmente pacíficos, o movimento pró-Palestina que se alastrou por universidades dos Estados Unidos vem ganhando contornos violentos, elevando a preocupação das autoridades. Ontem, um forte esquema de policiamento se manteve de prontidão na Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA) depois de uma madrugada de enfrentamentos de grupos opostos no acampamento montado por universitários em defesa dos palestinos. Os tumultos ocorreram depois que dezenas de policiais entraram na Universidade de Columbia, em Nova York, na noite de terça-feira, e dispersaram um edifício ocupado por ativistas. Mais de 100 foram presos na operação.

Em Los Angeles, manifestantes pró-Palestina e pró-Israel se enfrentaram com paus, derrubando barricadas e jogando fogos de artifício e objetos no meio da noite. Também usaram gás lacrimogêneo, segundo um jornalista da agência de notícias France-Presse (AFP). O Departamento de Polícia informou nas redes sociais que, a pedido da reitoria, agentes foram destacados para restaurar a ordem no câmpus da UCLA.

O reitor, Gene D. Block, destacou que muitos dos manifestantes e contra manifestantes “eram pacíficos”, assinalando, porém, que “as táticas de alguns foram absolutamente chocantes e vergonhosas”. “Vimos muitos casos de violência”, disse. Por sua vez, a prefeita de Los Angeles, Karen Bass, disse que essa ferocidade é “absolutamente abominável e indesculpável”.

A Casa Branca, que já monitorava a situação de Columbia com apreensão, reafirmou que defende o direito dos americanos de protestar. Ressaltou, no entanto, que “um pequeno percentual” está causando desordem nos campi universitários. “Acreditamos que são poucos estudantes que estão causando esses distúrbios e, se eles forem protestar, os americanos têm esse direito, pacificamente dentro da lei”, disse a porta-voz Karine Jean-Pierre. Ela acrescentou que a Casa Branca continuará pedindo que o antissemitismo seja denunciado.

Desocupação

Em Nova York, cerca de 300 pessoas foram detidas na Universidade de Columbia e no City College, de acordo com o prefeito Eric Adams. Ele acusou grupos de fora das universidades de quererem “semear o caos”, transformando “protestos pacíficos em atitudes perversas antissemitas e anti-Israel”. “Estamos processando as prisões para distinguir entre os estudantes e aqueles que não deveriam estar no câmpus”, disse Adams

Em Columbia, policiais subiram em uma plataforma montada em um caminhão até o segundo andar do Hamilton Hall, invadido horas antes, e conduziram estudantes algemados passando em frente a uma multidão que gritava “Palestina Livre”. A reitora Minouche Shafik pediu a intervenção em uma carta pública na qual afirmava que a ocupação era liderada “por indivíduos não ligados à universidade”.

Shafik também solicitou a manutenção do esquema policial na universidade até, pelo menos, 17 de maio para manter a ordem e garantir que nenhum acampamento seja instalado. Em uma publicação no Instagram, os manifestantes atacaram a reitora, dizendo que “seu uso das palavras ‘cuidado’ e ‘segurança’ é simplesmente horrível”.

A ocupação de Hamilton Hall foi uma resposta à suspensão de alunos por não cumprirem ordens de desmobilizar o acampamento montado no jardim da universidade. Entre outras exigências, os organizadores do protesto pediram que a administração de Columbia rejeitasse todo o financiamento ligado a Israel.

De costa a costa

As manifestações foram repetidas em várias universidades do país, na maior mobilização desde os protestos contra a Guerra do Vietnã, nas décadas de 1960 e 1970. A tomada de Hamilton Hall foi condenada pelo presidente Joe Biden, que pediu para garantir a liberdade de expressão dos estudantes e evitar atos antissemitas. Seu antecessor e rival nas eleições de novembro, Donald Trump, culpou o democrata pelo “antissemitismo impregnado no país”.

Os protestos contra a guerra de Gaza têm sido um desafio para as autoridades universitárias equilibrarem o direito à liberdade de expressão com as queixas de que as concentrações têm levado ao ódio e ao antissemitismo.

Na terça-feira, a Universidade Brown chegou a um acordo para que os estudantes desmontassem o acampamento. Em troca, a reitoria se comprometeu a realizar uma votação sobre o desinvestimento em Israel, uma concessão importante para uma universidade de elite dos Estados Unidos.

Entretanto, em outras instituições, como a Universidade da Carolina do Norte, a californiana Cal Poly Humboldt e a Universidade do Texas, em Austin, a polícia interveio para desocupar um acampamento e deter os manifestantes, com centenas de prisões em todo o país.

No Arizona, a polícia indicou ter usado gas lacrimogêneo para dispersar uma “concentração ilegal” no câmpus. Os organizadores do protesto negam as acusações de antissemitismo e defendem que suas ações são dirigidas ao governo de Israel e sua condução do conflito em Gaza, iniciado em outubro do ano passado, depois que extremistas do Hamas invadiram o território israelense e mataram mais de 1,1 mil pessoas.

Tribuna Livre, com informações da Agence France Presse.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

7R contabilidade e assessoria empresarial Santa Maria Brasilia DF
Leia também
Israel diz que acusação de 'genocídio' em Gaza está desconectada dos fatos
Israel diz que acusação de 'genocídio' em Gaza está desconectada dos fatos
Israel: disparo das forças do próprio país mata 5 de seus soldados em Gaza
Israel: disparo das forças do próprio país mata 5 de seus soldados em Gaza
O homem que lança garrafas com arroz no mar para salvar vidas na Coreia do Norte
O homem que lança garrafas com arroz no mar para salvar vidas na Coreia do Norte
X tem decisão favorável na Austrália em batalha por publicação de conteúdo violento
X tem decisão favorável na Austrália em batalha por publicação de conteúdo violento
Vaticano publica normas para concessão do "perdão divino"
Vaticano publica normas para concessão do "perdão divino"
Guerra na Faixa de Gaza: Israel amplia ataques e 300 mil fogem de Rafah
Guerra na Faixa de Gaza: Israel amplia ataques e 300 mil fogem de Rafah
Inundações no Uruguai fazem com que mais de 2 mil pessoas deixem casas
Inundações no Uruguai fazem com que mais de 2 mil pessoas deixem casas
Atingido por inundações, Quênia registra dezenas de casos de cólera
Atingido por inundações, Quênia registra dezenas de casos de cólera
Israel reabre passagem de fronteira com Gaza para permitir entrada de ajuda humanitária
Israel reabre passagem de fronteira com Gaza para permitir entrada de ajuda humanitária
Putin toma posse para quinto mandato como presidente da Russia
Putin toma posse para quinto mandato como presidente da Russia
Exército israelense começa evacuação de zona de Rafah, no sul de Gaza
Exército israelense começa evacuação de zona de Rafah, no sul de Gaza
'Joe genocida': protestos em universidades dos EUA mostram como guerra em Gaza virou ameaça à campanha de Biden
'Joe genocida': protestos em universidades dos EUA mostram como guerra em Gaza virou ameaça à campanha de Biden

Milhares de fieis prestigiam Festa do Divino, em Planaltina

Segunda maior celebração religiosa da região recebeu mais de R$ 1,2 milhão de investimento do GDF; festejos continuam neste domingo (19) Símbolo da fé brasiliense, a Festa do Divino Espírito Santo, em Planaltina, reuniu milhares de devotos neste sábado (18). O festejo começou logo cedo com a tradicional cavalgada –

Leia mais...

Escola Técnica de Santa Maria forma 169 alunos da primeira turma.

A deputada distrital Jaqueline Silva, emocionada, manifestou grande satisfação por mais essa conquista para a cidade. A deputada Jaqueline Silva declarou com emoção: “Não há palavras para expressar a minha satisfação em ver essa grande conquista beneficiando tantas pessoas.” Ela se referia à formatura de 169 alunos das primeiras turmas

Leia mais...

A sua privacidade é importante para o Tribuna Livre Brasil. Nossa política de privacidade visa garantir a transparência e segurança no tratamento de seus dados pessoais.