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Desembargador do Rio é alvo da PF sob suspeita de dar decisões em troca de benefícios à família


BRUNA FANTTI
FOLHAPRESS


A Polícia Federal cumpriu na manhã desta quinta-feira (8) mandados de busca e apreensão contra o desembargador Alexandre Eduardo Scisinio, do TJ-RJ (Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro). Ele é suspeito de ter favorecido empresas do setor imobiliário e da construção civil com decisões judiciais em troca de vantagens para a família.

Os fatos investigados são do período em que ele era juiz titular de uma vara de primeira instância em Niterói, na região metropolitana do Rio.

Chamada de Em Nome do Pai, a operação também mira a mulher do magistrado, os dois filhos dele, uma cunhada e uma advogada. Os seis mandados foram expedidos pelo ministro Og Fernandes, do STJ (Superior Tribunal de Justiça), e cumpridos em endereços no bairro de Icaraí, em Niterói. Em um deles, atribuído a um dos filhos de Scisinio, os agentes apreenderam R$ 27 mil em dinheiro.

Desembargadores de tribunais de Justiça têm foro especial no STJ para crimes comuns. Por isso, mesmo com os fatos investigados sendo da época em que Scisinio era juiz de primeira instância, a autorização para as buscas precisou partir do STJ, porque ele hoje é desembargador.

A reportagem tenta identificar quem faz a defesa do magistrado. Consultados, STF e PF não deram essa informação. Procurado, o TJ-RJ disse que não vai comentar a operação.

Segundo a PF, a investigação começou a partir de elementos enviados pela Corregedoria-Geral do TJ-RJ, que havia aberto um procedimento administrativo para apurar a conduta do magistrado.

De acordo com a corporação, o suposto esquema combinava as decisões do então juiz com benefícios à família dele.

“As decisões judiciais apuradas ocorriam enquanto vantagens indevidas seriam repassadas à família do magistrado por intermédio de imóveis, descontos comerciais excepcionais, pagamentos indiretos, interpostas pessoas e pessoas jurídicas ligadas aos investigados”, afirmou a PF, em nota.

A polícia explicou por que pôde fazer buscas agora, anos depois das decisões sob suspeita. “Os atos de corrupção investigados ocorreram quando o magistrado ainda exercia suas funções na 1ª instância, mas os atos de lavagem se prolongaram no tempo, permitindo a realização de buscas”, disse a PF.

Scisinio foi promovido a desembargador em 2021.

Os investigados podem responder por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.


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