DF bate recorde de ocupação e chega a 1,57 milhão de trabalhadores em 2025

Agências do Trabalhador abrem 449 vagas de emprego no DF
Agências do Trabalhador abrem 449 vagas de emprego no DF – Reprodução

A divulgação do módulo Características Adicionais do Mercado de Trabalho da PNAD Contínua, nesta quarta-feira (23), revelou mudanças na dinâmica laboral da capital federal nos últimos anos. A pesquisa, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indicou um aumento de 7% no número de trabalhadores em relação a 2024, batendo o recorde de 1,57 milhão de pessoas ocupadas em 2025.

Durante o mesmo período, foi registrado uma alta na população em idade de trabalhar. A estimativa é que, no ano passado, 2,48 milhões de pessoas faziam parte deste grupo, marcando uma elevação de 1,9% se comparado a 2024. Somando os dados, o nível de ocupação – proporção de ocupados entre as pessoas em idade de trabalhar – chegou a 63,3% no DF em 2025. O índice representa 3,0 pontos percentuais acima do registrado em 2024 (60,3%), e alcançou o maior valor da série.

Dentro desses índices, algumas áreas perderam participação na força de trabalho como um todo na capital federal em comparação aos anos anteriores. A construção foi uma das atividades que registrou esse declínio, saindo de 7,4% em 2012 (início da série), para 4,7% em 2025. Logo em seguida aparece o setor de serviços domésticos, que despencou de 6,7% para 4,7%. E por fim, a indústria geral participava com 5,6%, passando para 3,7%.

Por outro lado, nesse mesmo período, outros setores registraram um crescimento efetivo. Entre as atividades de destaque estão: administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais e informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas. Todas tiveram um crescimento de 3,1 pontos percentuais.

A administração pública, defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais continuou sendo, em 2025, a atividade que mais absorvia trabalhadores, alcançando quase 30%. Nesse grupo estão incluídas a saúde e a educação pública e privada. Em seguida, aparece o grupamento informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, que, em segundo lugar, respondia por 24,5% da população ocupada.

Na avaliação do economista Newton Marques, o cenário na capital federal não é descolado da realidade nacional. Segundo ele, o encolhimento nas áreas de base industrial é refletido por todo país, e no DF essa tendência faz com que a economia se volte mais para a parte de serviços.

“O DF tem uma particularidade porque nós temos limitações do ponto de vista de fornecimento de água e energia elétrica, bem como desenvolver indústrias que poderiam ter ganhos de escala. Então, o que surge para as pessoas que moram aqui ou vão trabalhar é o setor de serviços, principalmente ligado à administração pública ou comércio, ou mesmo vão desenvolver um empreendedorismo por conta própria”, analisa.

A análise também é compartilhada pelo economista e professor da Universidade de Brasília (UnB) César Bergo. Para ele, mesmo que a tendência seja de redução no trabalho nas áreas de indústria, é importante lembrar que Brasília depende da administração pública. Na visão do professor, é necessário um fortalecimento das outras áreas.

“Brasília depende muito da administração pública e também dos serviços correlatos. Isso contribui para ter uma contratação bem elevada. Mas de outro modo, deve de alguma forma se mostrar sustentável. É importante que Brasília busque uma estrutura mais diversificada com maior participação de outras áreas, como tecnologia, inovação, turismo, economia criativa e outros serviços especializados”, explica.

Trabalhador por conta própria/empregador

O levantamento também indicou mudanças no trabalho autônomo. Foram registrados 47,5% empregadores ou trabalhadores por conta própria com registro de Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), batendo recorde no nível de ocupação da série histórica. O número representa 354 mil brasilienses nesse grupo.

Desse total, 283 mil (79,9%) estavam ocupadas como conta própria e 71 mil (20,1%) como empregadores em 2025. Além da considerável diferença de contingente, outra característica importante se referia ao registro no CNPJ. Enquanto 36,8% (104 mil) de conta própria tinham o registro, essa cobertura chegava a 90,0% (64 mil) entre os empregadores.

Em relação à população ocupada como empregado no setor privado, empregador, conta própria ou trabalhador auxiliar no Distrito Federal (1,14 milhão), mais da metade trabalhava, principalmente, em estabelecimento do próprio empreendimento (56,4%). Outros 13,2% estavam ocupando cargos em local designado pelo empregador, patrão ou freguês e 10,6% no domicílio de residência.

O percentual de ocupados em estabelecimento do próprio empreendimento – ao qual os trabalhadores estavam vinculados – também apresentou leve alta no DF, passando de 55,7% em 2024 para 56,4% em 2025. No início da série (2012) este percentual era bem maior (74,0%). Por outro lado, o percentual de trabalhadores no domicílio de residência sofreu leve queda de -0,4 ponto percentual nos últimos dois anos.

Michelle Souza faz parte dessa estatística. Professora de português para estrangeiros e jornalista, hoje ela atua de forma autônoma. Em uma rotina dividida entre a Argentina e o Brasil, trabalhar por conta própria é o que mais faz sentido no momento da vida.

Antes de abrir o CNPJ, já atuava na área de comunicação fazendo assessoria de imprensa para órgãos públicos. Depois, decidiu trabalhar por conta própria. “Tenho um blog há mais mais de 15 anos. E sempre conciliei o meu blog com assessoria de imprensa, então eu fazia os dois papéis. Divulgava o trabalho de outros assessores e fazia a ponte com os veículos de imprensa. Por conta disso, eu tive que abrir na época o CNPJ”, relata.

Por não ter um local fixo e trabalhar predominantemente da própria residência, a dinâmica de trabalho se encaixa melhor na realidade da professora. “Trabalhar em casa para mim me traz uma certa comodidade de poder fazer outras coisas também, porque também sou professora de português particular voltado a estrangeiros, então eu fico entre Brasil e Argentina. Para mim, só me trouxe prós, não me trouxe contras”, conta.

Com as idas para fora do país, Michelle também se tornou empregadora. Atualmente, conta com a ajuda de outros dois profissionais para auxiliar no trabalho da assessoria, um em São Paulo e outro em Brasília.

“No caso da assessoria de imprensa, tenho duas pessoas que me ajudam. Mas para dar aula, eu trabalho sozinha e tenho expandido e aperfeiçoado mais essa área. Até então eu estou sozinha e quero crescer mais ao ponto de poder trazer outras pessoas perto pra trabalhar comigo”, comenta.

Apesar da praticidade do trabalho autônomo, há um outro lado a ser analisado: a seguridade social desses trabalhadores. Para Bergo, é necessário que se faça um estudo para que não haja um reflexo social nos próximos anos.

“O empreendedorismo também em Brasília é muito forte. Mas, se de um lado é bom que cresça esse tipo de atividade, sobretudo o microempreendedor individual, de outro lado nós temos que pensar também na questão da seguridade dessas pessoas”, avalia.

Marques compartilha do mesmo pensamento e analisa que o trabalho autônomo pode causar uma certa instabilidade. “Isso é ruim do ponto de vista social porque as pessoas que não têm contrato fixo, não têm a cobertura da seguridade social, nem seguro de trabalho, nem FGTS, não podem muitas vezes tirar férias. É uma boa notícia, sobretudo porque são áreas em que há um uso de mão de obra mais intensiva. Isso ajuda a fazer crescer. Agora é importante de fato ter uma análise mais cuidadosa sobre essa situação porque isso tem implicações na manutenção desse número”, acrescenta.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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