Digimais investe R$ 3 bilhões em fundos sem auditoria de documentos

O Digimais, banco de Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus e dono da TV Record, investiu R$ 3 bilhões em fundos de investimento cujas demonstrações financeiras não puderam ser auditadas por falta de documentos.

O montante representa 73% do total investido pelo banco em fundos de investimento, segundo alerta feito pela auditoria Clifton Larson Allen Brasil no balanço do segundo semestre de 2025 do Digimais.
A informação sobre os investimentos em fundos não auditados foi divulgada pelo jornal O Estado de São Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo.

Procurado, o Digimais afirmou que não pode comentar, pois está em período de silêncio em decorrência das tratativas de sua venda. “O Digimais reitera que todas as suas operações financeiras seguem estritamente as práticas usuais de mercado, são devidamente auditadas e estão integralmente alinhadas com as diretrizes e estratégias de uma instituição do seu porte”, afirmou o banco em nota.

Os auditores ressaltaram que o Digimais realizou uma venda de R$ 741,3 milhões de cotas de um FIDC (Fundo de Investimento em Direitos Creditórios), o Hermon, para a B.A. Empreendimentos e Participações, que é a holding de Macedo que controla o banco.

Essa transação reverteu provisões para perdas com crédito que o banco tinha feito e contribuiu positivamente em R$ 126 milhões para o balanço do Digimais no ano passado, ajudando o banco a fechar no azul no ano passado.

Segundo a auditoria, a operação com o Hermon, apesar de suportada por pareceres legais atestando sua lisura, pode não refletir condições usuais de mercado, já que “não prevê remuneração compatível com sua natureza econômica”.

A auditoria aponta ainda que o negócio continua pendente de pagamento –no balanço, a empresa aponta que o vencimento da operação é em 29 de dezembro de 2032.

“Até a data de emissão deste relatório, não obtivemos evidências de auditoria apropriadas e suficientes que nos permitissem concluir sobre a adequada classificação, da mensuração do ativo reconhecido e a razoabilidade dos efeitos contábeis decorrentes dessa transação”, apontou a Clifton Larson Allen Brasil.

A auditoria ainda afirmou que uma série de outros investimentos, em FIDCs, fundos de participação e fundos imobiliários, não puderam ser auditados pela falta de demonstrações financeiras auditadas ou atualizadas.

“Em decorrência dos aspectos acima mencionados, não foi possível realizar procedimentos de auditoria persuasivos sobre tais investimentos.”

O banco enfrenta anos de deterioração financeira e passou por alguns reinvestimentos pelo seu controlador, o que levou também a tentativas de venda. Em abril, o BTG Pactual fechou um acordo de intenção de compra com o banco.

Na ocasião, a Folha apurou com pessoas próximas ao assunto que a conclusão da transação depende de uma série de tratativas, inclusive um acerto com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos) para financiar a transação.

O BTG Pactual afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que assinou documentos para uma potencial aquisição, “ainda sujeita ao cumprimento de condições precedentes e à realização de um processo competitivo.”

“A operação não foi concluída e deverá ocorrer por meio de leilão. A eventual transação também depende de mecanismos de suporte financeiro, incluindo a participação do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O interesse do banco nesta aquisição está concentrado principalmente na carteira de clientes”, disse o BTG em nota.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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