Distrito Federal realiza derrubada de 400 barracos em Santa Maria

 Desde a terça-feira
(7/3), cerca de 750 edificações em lona e madeira, que ocupam espaço próximo a
condomínio, estão sendo removidos. De acordo com os ocupantes, agentes do DF
legal não apresentaram nenhuma documentação para realizar a ação


(crédito: Ed Alves/CB/D.A.Press)

No fim da manhã desta quarta-feira (8/3), a Secretaria de
Proteção da Ordem Urbanística (DF Legal) em conjunto com equipes da Polícia
Militar do DF deu continuidade a uma ação de despejo em uma ocupação em Santa
Maria (DF), no Setor Total Ville. A área mais de 750 barracos foram derrubados.

Segundo os ocupantes, a PM e o DF Legal agiram de forma
violenta disparando balas de borracha contra as famílias no local. Ao Correio,
os presentes descreveram as ações como agressivas que deixaram crianças e
mulheres feridas. “Do nada eles chegaram aqui e começaram as derrubadas. Sem
nenhuma documentação, sem avisar simplesmente iniciaram tacando tiros na gente.
Não tivemos o menor amparo e nem auxílio dos bombeiros que estavam no local”,
disse Cleonice de Souza que mora no local a pelo menos três meses.

Ela conta que durante a ação, as mulheres chegaram a
fazer uma ‘barreira’ e começaram a rezar em direção a corporação que , segundo
ela, respondeu com bombas e tiros de borracha. “Foi uma covardia, perdemos
tudo , nossas roupas, comidas, pertences. Não deram tempo para nada, não
conseguimos tirar   nossas coisas”.
Cleonice reforça que a maioria das famílias que estavam no local praticavam
cultivo de agricultura familiar e que agora está completamente perdida. 

A ativista do coletivo Mais de Nós, Mona Nascimento,
acompanha a operação desde do início e conta que os agentes do DF Legal apenas
informaram que o despejo era ordem administrativa e começaram a derrubar os
barracos. E após isso, os pertences dos moradores foram levados por um
caminhão. “Eles chegaram e fecharam todas as entradas, ontem. Ninguém entrava e
ninguém saía. Hoje foi a mesma coisa, começaram a derrubar os barracos e
disparar bala de borracha em todo mundo”, afirma. Segundo ela, no local haviam
cerca de 900 famílias.

Segundo a DF Legal, a ação visa coibir uma ”ocupação
irregular em um condomínio informal.” De acordo com a pasta, antes do início da
ação, o proprietário da área foi notificado para que realizasse a remoção das
construções, por meio de intimação demolitória. Como houve o descumprimento,
ele será responsabilizado, multado e arcará com todos os custos do Estado com
os dois dias de operação.  O órgão
confirmou que os moradores não foram notificados por se tratar de uma área
particular.

A pasta informou, ainda, que alguns ocupantes chegaram a
criar barricadas e atearam fogo em entulhos. Cerca de 30 servidores da pasta
atuam na retirada dos mais de 400 barracos que ainda restaram. No primeiro dia
foram removidas cerca de 250 edificações precárias, erguidas em lona e madeira.
O órgão completa informando que 
“são poucos os barracos que estão ocupados de fato”.

Por volta das 13h, a Secretaria da Desenvolvimentismo
Social iniciou uma ação de cadastramento dos moradores em programas de
acolhimento e albergues.

Donos do terreno

O advogado Mário Gomes, representante da empresa MC
Magalhães, dona do terreno, afirma que as pessoas foram liberadas pela
companhia a estar no local por meio de um contrato de arrendamento de terra.
Além disso, ele esclarece que a MC Magalhães nunca fez um pedido ao GDF de
remoção de barracas.

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