O dólar ronda a estabilidade nesta segunda-feira (20) após o Irã fechar novamente o estreito de Hormuz e haver incerteza sobre nova rodada de negociações com os EUA.
Às 12h21, a moeda norte-americana caía 0,03%, a R$ 4,983. O movimento é similar ao observado no exterior, onde o dólar está próximo do zero a zero: o índice DXY, que mede o desempenho da divisa em relação a uma cesta de seis moedas fortes, recuava 0,02%.
No mesmo horário, a Bolsa subiu 0,29%, a 196.30 pontos, impulsionada pela alta das ações do setor de petróleo.
Ao longo do fim de semana, a escalada das tensões voltou a interromper o tráfego no estreito de Hormuz. Nas últimas 12 horas, o fluxo de navegações pela via permanecia parado, com apenas três travessias registradas, de acordo com dados de navegação da SynMax e de rastreamento da plataforma Kpler.
No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito de Hormuz, segundo agências internacionais. No domingo (19), foi a vez dos Estados Unidos.
O presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que fuzileiros navais do país atacaram uma embarcação que tentou burlar o bloqueio americano aos portos iranianos no estreito de Hormuz. Trump afirmou ainda que a tripulação iraniana se recusou a obedecer a ordens de parada.
O ataque foi respondido pelo comandante operacional do Irã, Khatam al-Anbiya, através da mídia estatal iraniana. “Alertamos que as forças armadas da República Islâmica do Irã em breve responderão e retaliarão contra essa pirataria armada por parte das forças militares dos EUA”, disse.
Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, “o aumento de tensões contribui para a expectativa de uma suspensão dos fluxos de petróleo e derivados por um período maior do que o esperado”.
Ao mesmo tempo, Trump afirmou que representantes dos dois países devem se reunir para mais uma rodada de negociações no Paquistão nesta segunda -o acordo de trégua expira na quarta-feira (22). Segundo a agência Tasnim, associada à Guarda Revolucionária, o regime ainda não decidiu se enviará representantes para as conversas.
O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, irá liderar a delegação dos EUA, afirmou Trump. Vance participou das conversas entre os países no começo do abril, que acabaram ser acordo.
O petróleo volta a subir nesta segunda com as mensagens contraditórias sobre o conflito. Por volta das 11h22, o barril do Brent, referência internacional, avançava 4,28%, a US$ 94,25 no contrato com vencimento em junho deste ano. Na máxima do dia chegou a US$ 97,50 -alta de 7,8%.
A alta impulsiona os papéis da Petrobras, que sobem até 1,83%, durante o pregão. As ações da Brava também avançam mais de 2%.
“Empresas do setor petrolífero tendem a ser beneficiadas, pois há uma expectativa de aumento das receitas com exportações e uma maior procura por companhias brasileiras, dado o contexto de redução do produto fornecido pelos países do Golfo Pérsico”, afirma Cordeiro.
O cenário geopolítico tem sido o principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes.
No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa brasileira a bater diversos recordes. O fluxo, contudo, foi interrompido com a guerra no Irã.
Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou, o que fez com que o dólar rompesse o piso de R$ 5 e se mantesse abaixo da marca pela primeira vez desde 2024.
O Brasil se valoriza neste contexto pela distância em relação ao conflito e pelo diferencial de juros com os EUA.
Segundo o Boletim Focus desta segunda-feira, economistas consultados pelo BC (Banco Central) veem a taxa básica de juros, a Selic, terminando este ano em 13% ao ano. A taxa hoje é de 14,75%.
Com a Selic no maior patamar em quase duas décadas e a taxa dos Estados Unidos na banda entre 3,5% e 3,75%, investidores aproveitam da diferença para apostar no “carry trade”.
Nessa estratégia, investidores captam recursos em países de juros baixos para aplicar em economias com taxas mais elevadas, como o Brasil.
Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro foi de R$ 68 bilhões até 10 de abril -superior ao fluxo de 2025 inteiro.