Escola que nasceu de curral emociona eleitores em Goiás

Eleitores de Águas Lindas de Goiás se emocionaram neste domingo ao votar na Escola Municipal Domingos Simão de Oliveira, unidade que começou em uma área que era curral de vacas e se tornou referência na comunidade. Ao longo da manhã, moradores contaram histórias de dificuldades, estudo e vínculo com o colégio, que hoje atende alunos e familiares em diferentes gerações.

O piauiense Pedro Pereira, de 56 anos, foi o primeiro da fila. Ele chegou às 5h50 para votar e disse que a rotina de trabalho como porteiro em Brasília o faz sair cedo de casa todos os dias. Com escolaridade interrompida no quarto ano, afirmou que pisar em uma escola o emociona e que buscou incentivar os seis filhos a estudarem.

A trajetória da unidade ajuda a explicar o sentimento dos eleitores. A psicopedagoga Maria do Socorro Pereira, hoje com 69 anos e ainda atuando como professora, recorda que em 1992 reuniu as primeiras 60 crianças no local. Segundo ela, a estrutura era improvisada, com contêineres, até a consolidação da escola. O primeiro nome da instituição foi Ayrton Senna da Silva, enquanto Domingos Simões ficou associado ao prédio destinado ao ensino infantil e fundamental.

Outros votantes também destacaram a ligação com a escola. O agricultor Divino Evangelista dos Santos, de 53 anos, e o pedreiro Dorival Batista, de 62, disseram ter pouca escolaridade e chegaram cedo para poder seguir com a rotina de trabalho. Já a camareira de hospital Géssica Matos, de 33 anos, afirmou que estudar no local marcou sua vida e que voltar à escola para votar a emocionou, ao lado do marido e do filho pequeno.

A unidade também foi lembrada por ex-alunos que conseguiram avançar nos estudos. O advogado Adenilson dos Santos Filho, de 36 anos, disse que não esquece a escola e afirmou que só chegou ao ensino superior com ajuda do Prouni. O balconista Adriano Silva, de 20 anos, contou ter sentido nostalgia ao entrar para votar e lembrou da quadra de esportes. Já Lídia da Conceição, de 31 anos, que hoje trabalha na escola como monitora, disse que quer se tornar professora ali.

A diretora Zélia Vaz, de 58 anos, afirmou que, ao longo das últimas três décadas, a escola acompanhou alunos e suas famílias em diferentes situações de vulnerabilidade social. Para ela, o voto naquele espaço carrega a memória de uma comunidade que construiu, ao longo dos anos, a própria referência de ensino.

T CSM
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