23/06/2024

Inadimplência atinge mais de 67,3 milhões de consumidores em maio

Esse é o terceiro recorde seguido na série histórica do levantamento realizado pela CNDL/SPC Brasil. Quatro em cada 10 brasileiros adultos (41,31%) estavam negativados em maio deste ano

O número de inadimplentes registrou mais uma alta em maio, atingindo 67,30 milhões de brasileiros, terceiro recorde seguido na série histórica do levantamento. De acordo com o indicador medido pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), divulgado nesta segunda-feira (26/6), quatro em cada 10 brasileiros adultos (41,31%) estavam negativados em maio deste ano.

No período, o volume de consumidores com contas atrasadas cresceu 9,42% em relação ao mesmo período de 2022. O crescimento do indicador anual se concentrou no aumento de inclusões de devedores com tempo de inadimplência de 1 a 3 anos (18,23%).

A especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, apontou os motivos da alta da inadimplência. “O desemprego em patamar elevado, a inflação que corroeu o poder de compra, especialmente das famílias de renda mais baixa, a taxa de juros elevadas e a dificuldade de acesso ao crédito ou mesmo concessões de crédito inadequadas levaram muitos brasileiros ao endividamento excessivo e consequentemente à inadimplência”, destacou.

O número de dívidas em atraso no Brasil teve crescimento de 20,86%, em relação ao mesmo período de 2022. O dado observado em maio deste ano ficou acima da variação anual observada no mês anterior. Na passagem de abril de 2023 para maio de 2023, o número de dívidas apresentou alta de 3,82%.

Em maio deste ano, cada consumidor negatido devia, em média, R$ 4.002,06 na soma de todas as dívidas. Considerando todas essas dívidas, cada inadimplente devia, em média, para 2,09 empresas credoras. Os dados ainda mostram que cerca de três em cada 10 consumidores (31,58%) tinham dívidas no valor de até R$ 500, percentual que chega a 45,83% quando se fala de dívidas de até R$ 1.000.

Bancos

A maior parte das dívidas em atraso é concentrada nos bancos, com 64,72% do total. Na sequência, aparece comércio (11,28%), o setor de água e luz com 10,79% e Comunicação com 6,63% do total de dívidas. No mês de maio os débitos com bancos registraram crescimento de 33,76%, seguido de água e luz (17,25%). Em outra direção, as dívidas com o setor credor de Comunicação e Comércio apresentaram queda no total de dívidas em atraso.

O número de devedores com participação mais expressiva no Brasil em maio está na faixa etária de 30 a 39 anos (23,81%), ou seja, são 16,70 milhões de pessoas registradas em cadastro de devedores nesta faixa. O montante equivale a 48,93% do total deste grupo etário. A inadimplência segue bem distribuída entre os sexos: 51,07% são mulheres e 48,93%, homens.

Segundo o presidente da CNDL, José César da Costa, os setores de comércio e serviços são os mais impactados negativamente pela alta inadimplência, uma vez que o consumidor deixa de movimentar o mercado quando perde o crédito. “Consequentemente, gera-se uma realidade de economia fraca, pouca geração de emprego e de renda. Por isso, é urgente que o governo adote ações concretas, por meio de políticas públicas, para mudar esse cenário tão negativo para a economia do país”, destacou.

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, por sua vez, alertou que é fundamental que o consumidor faça um levantamento de todas as suas dívidas e crie um plano de pagamento levando em conta a sua capacidade de pagamento das contas em atraso e os gastos básicos mensais. “A alta inadimplência é um problema complexo e que exige uma combinação de ações como educação financeira, políticas públicas adequadas e condições econômicas favoráveis para que se tenha uma mudança efetiva de cenário. O país segue enfrentando muitos desafios econômicos com uma taxa de juros tão elevada”, disse.

A alta inadimplência é um problema complexo e que exige uma combinação de ações como educação financeira, políticas públicas adequadas e condições econômicas favoráveis para que se tenha uma mudança efetiva de cenário.

(crédito: Barbara Cabral/Esp. CB/D.A Press)

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