Os preços internacionais das commodities alimentícias subiram em agosto, impulsionados por altas temperaturas e riscos climáticos, que aumentaram a preocupação com a oferta global, informou nesta sexta-feira a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O Índice de Preços de Alimentos da FAO registrou média de 133,3 pontos em agosto, alta de 1,9% em relação ao nível revisado de julho e de 2,5% ante igual período do ano passado.
Segundo a FAO, o maior avanço do mês ocorreu no Índice de Preços do Açúcar, que saltou 11,9% em agosto. A alta refletiu expectativas de menor produtividade da beterraba açucareira na União Europeia devido ao clima adverso, preocupações com impactos do El Niño na Ásia, menor produção no Brasil e o anúncio de que a Índia fará importações de açúcar bruto isentas de tarifas.
O Índice de Preços de Cereais avançou 2,2% na comparação com julho, sustentado por forte demanda de importação, receios sobre a safra e incertezas em fluxos comerciais relevantes. As cotações internacionais do trigo subiram 2,6% no mês (15% acima do nível de um ano antes), diante de persistentes interrupções na logística de exportação do Mar Negro, de uma perspectiva menor de produção na Europa, em razão do clima quente e seco, e da desvalorização do dólar.
O milho avançou 2,5% ante julho, puxado por preocupações com o rendimento das lavouras em partes dos Estados Unidos, deterioração das perspectivas de produção na União Europeia, forte demanda dos setores de etanol e ração e problemas de fornecimento provocados pelo fechamento do Estreito de Ormuz e por gargalos nas exportações da Ucrânia. O índice de preços para todos os tipos de arroz subiu 0,5%, sustentado por compras contínuas de países asiáticos e africanos.
O Índice de Preços de Óleos Vegetais avançou 1,1% ante julho, refletindo cotações mais altas dos óleos de palma e de soja, estimuladas pela firme demanda global de importação e por apreensões com os efeitos do El Niño no Sudeste Asiático. Por outro lado, os preços dos óleos de canola e de girassol registraram leve queda, diante da expectativa de oferta abundante no próximo ano comercial.
O Índice de Preços da Carne subiu 1% em agosto, impulsionado por altas nas carnes de frango, suína e ovina. O aumento no preço da carne suína foi motivado principalmente por temperaturas elevadas, que desaceleraram o crescimento dos animais na União Europeia. Em contrapartida, os preços internacionais da carne bovina caíram, com a alocação de cotas de importação na China intensificando a concorrência entre exportadores do Brasil e da Austrália por destinos alternativos. Entre os lácteos, o índice da FAO subiu 2,3% ante julho, puxado sobretudo pela menor oferta de leite na União Europeia, em razão do tempo quente e seco.
Em relatório separado sobre Oferta e Demanda de Cereais, a FAO projetou a produção global de cereais em 2026 em 2,98 bilhões de toneladas, recuo de 2% ante 2025, mas ainda a segunda maior safra da história. A estimativa para o milho foi cortada para 1,31 bilhão de toneladas, com perdas na França e na Polônia compensando ganhos no Brasil e na Argentina. A safra global de trigo foi elevada para 810,7 milhões de toneladas (queda de 3,8% ante 2025). Já a produção de arroz deve cair para 553,1 milhões de toneladas na temporada 2026/27 (queda de 1,9% ante o recorde anterior).