Irã ameaça dificultar travessia em Hormuz a países que se aliarem aos EUA

O Irã elevou o tom contra os Estados Unidos e aliados neste domingo (10) ao ameaçar restringir a passagem de navios pelo Estreito de Hormuz e atacar bases americanas se petroleiros iranianos forem alvo de ações na região.

O Exército iraniano disse que países que aplicarem sanções dos EUA terão dificuldades para cruzar o Estreito de Hormuz. A advertência veio após Washington anunciar, em 1º de maio, novas sanções contra interesses iranianos e falar em represálias a navios que paguem às autoridades de Teerã para atravessar a rota.

O Irã afirmou que criou um novo dispositivo jurídico e de segurança para a travessia. “Estabelecemos um novo dispositivo jurídico e de segurança no Estreito de Hormuz. A partir de agora, todo navio que desejar atravessá-lo deverá coordenar-se conosco”, disse Mohammad Akraminia, responsável do Exército, à agência oficial Irna.

A Guarda Revolucionária ameaçou atacar bases dos EUA se navios iranianos forem atingidos. Em comunicado, a Marinha da Guarda Revolucionária disse que qualquer ataque a petroleiros e navios comerciais do Irã resultará em “forte ataque” contra “um dos centros americanos” no Oriente Médio e contra “navios do inimigo”.

A Força naval da Guarda Revolucionária atua em paralelo às Forças Armadas tradicionais do Irã. O grupo é um dos principais braços militares do regime iraniano e conduz operações no Golfo Pérsico, incluindo o Estreito de Hormuz.

Teerã mantém o tráfego no Estreito de Hormuz limitado desde o início da guerra lançada em 28 de fevereiro por EUA e Israel. A passagem, estratégica para o comércio global de hidrocarbonetos, ficou restrita pelo bloqueio americano aos portos iranianos e por limitações impostas pelo próprio Irã, que tem autorizado a travessia a conta-gotas.

DISPUTA NO CONSELHO DE SEGURANÇA

EUA e países do Golfo pediram ao Conselho de Segurança da ONU que o Irã deixe de “impedir” a navegação no Estreito de Hormuz. Um projeto de resolução foi apresentado por Estados Unidos e Bahrein, mas a Rússia, aliada de Teerã, sinalizou que pode bloquear o texto.

O Parlamento iraniano disse que o país já começou a receber receitas com taxas de passagem pelo Estreito de Hormuz. O anúncio foi feito em 23 de abril por Hamidreza Haji Babaei, vice-presidente do Parlamento.

DECLARAÇÕES E ESCALADA DE TENSÃO

O assessor do líder supremo do Irã comparou o Estreito de Hormuz a “uma bomba atômica”. “Durante anos, negligenciamos o privilégio do Estreito de Hormuz. O Estreito de Hormuz representa uma oportunidade tão valiosa quanto uma bomba atômica”, declarou Mohammad Mokhber em vídeo divulgado pela agência Mehr.

Mokhber disse que a posição permite influenciar a economia mundial “com uma única decisão”. Ele afirmou que o Irã não vai perder “sob nenhuma circunstância as conquistas desta guerra” e citou a possibilidade de mudar o regime jurídico do estreito com base no “direito internacional” ou, se necessário, na legislação nacional.

Irã e EUA trocaram acusações de violação do cessar-fogo e relataram confrontos na área. Autoridades iranianas disseram que os EUA bombardearam um navio petroleiro e que houve ataques aéreos em áreas civis; já o Centcom (Comando Central dos Estados Unidos) afirmou ter respondido com “ataques de autodefesa” após interceptar “ataques iranianos não provocados” durante a passagem de destróieres pelo Estreito de Hormuz.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
plugins premium WordPress