Mães endividadas apostam online em busca de renda, aponta estudo

Cláudia Collucci e Pedro S. Teixeira
Folhapress

Mais da metade das brasileiras já sentiu na pele o avanço das bets, seja jogando, seja arcando com a conta. Entre elas, 42% apostam ou já apostaram, e outras 12% que nunca apostaram dizem sofrer os efeitos do vício de parceiros ou parentes.

Entre as mulheres que apostam, as que têm filhos jogam cerca de 1,6 vez mais do que as sem filhos, sugerindo que, para essas mães, jogar tem menos a ver com lazer ou adrenalina e mais com a tentativa de fechar as contas do mês.

Os dados são do estudo “Mulheres & Bets”, divulgado pela Clarice, estúdio de pesquisa sobre mulheres e poder, em parceria com o Instituto Estratégia Latina e o Instituto de Pesquisa IDEIA. O levantamento combina 20 grupos qualitativos com 60 mulheres e homens e uma enquete nacional com 2.008 entrevistados, feita em julho.

O avanço das apostas entre as mulheres também se reflete nos participantes dos encontros dos Jogadores Anônimos, entidade de acolhimento de pessoas com problemas relacionados ao jogo.

Entre novembro de 2024 e julho deste ano, quando a Folha participou de reuniões, o crescimento do número de mulheres participantes também foi perceptível.

Na visita mais recente, elas eram quase um terço da presença na sala. Havia desde uma gestante que relatava as dificuldades de abandonar os caça-níqueis online, até uma mãe que só conseguiu largar o jogo há cerca de nove meses ao pensar no filho. Esta última, hoje, tem receios de se aproximar de familiares da nova namorada, devido à relação deles com o jogo.

“As mulheres que apostam, as mães que apostam, não apostam para serem a Virgínia, como as pessoas ficam achando”, diz Beatriz Della Costa, cofundadora da Clarice e uma das porta-vozes do estudo, em referência à influenciadora conhecida pela vida de luxo e pelos contratos de publicidade milionários com bets.

T CSM
Fábio Andrade Contabilidade - Contador em Santa Maria DF
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