México abre sua terceira Copa do Mundo com África do Sul, Shakira e protestos

Os amantes do futebol aguardam ansiosamente o início, nesta quinta-feira (11), da terceira Copa do Mundo realizada no México, onde vários grupos sociais prometeram protestos caóticos para impulsionar suas reivindicações.

O apito inicial soará às 13h00 locais (16h00 em Brasília) para o confronto entre México e África do Sul, partida que dá início à maior Copa do Mundo da história, com 48 seleções e 104 jogos.

Mas os torcedores começaram a chegar seis horas antes, devido à previsão de bloqueios nos acessos ao Estádio Azteca, que estavam cercados por centenas de militares e policias com equipamento tático, incluindo esquadrões a cavalo.

O maior evento de futebol do planeta será organizado pela primeira vez por três países: Estados Unidos, Canadá e México, que já recebeu o torneio em 1970 e 1986.

A Copa do Mundo chega precedida de polêmicas: o alto preço dos ingressos, a recusa de vistos para entrar nos Estados Unidos e a guerra no Oriente Médio, que levou o Irã a transferir sua base de treinamento do Arizona para Tijuana.

A partir de agora, a bola tentará assumir o protagonismo para definir quem poderá destronar a Argentina de Lionel Messi, que busca defender o título conquistado no Catar, em 2022.

– Confiança na seleção anfitriã –

Durante a cerimônia de abertura, o tenor italiano Andrea Bocelli cantará o hino oficial da Copa do Mundo, intitulado “DNA”, uma mistura de ópera com música eletrônica.

A cantora colombiana Shakira interpretará, por sua vez, a música “Dai Dai” ao lado da estrela nigeriana do afrobeat Burna Boy.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, não comparecerá à abertura, que, segundo ela, transcorrerá “sem problemas” apesar da pressão dos protestos que, desde a semana passada, vêm gerando caos na capital mexicana.

A abertura “vai transcorrer muito bem”, insistiu ela nesta quinta-feira, durante sua coletiva de imprensa diária.

O México é o país com maior torcida entre os três coorganizadores, e seu Estádio Azteca é uma “catedral do futebol”, “abençoada pelos deuses” deste esporte, nas palavras do presidente da Fifa, Gianni Infantino, na quarta-feira.

Mas, nesta edição, o país não vive a mesma paixão de seus dois mundiais anteriores.

“Sinto [o clima] meio morno”, disse Víctor Flores, um entregador de 52 anos. “Em 1986, eu tive a oportunidade de ir a jogos e parecia um carnaval (…) agora sinto tudo totalmente apagado”, acrescentou.

Uma pesquisa publicada na segunda-feira revelou que apenas 35% dos mexicanos confiam em sua seleção, que nunca passou das quartas de final de uma Copa do Mundo.

A competição acontece, ainda, em um contexto de relações deterioradas com os Estados Unidos de Donald Trump, que ameaçou intervir em solo mexicano contra os cartéis de drogas.

O torneio terá 13 partidas disputadas no México e os preços altíssimos dos ingressos deixaram as classes populares fora dos estádios.

Em vez de festejar, elas optaram por aproveitar a atenção midiática para ecoar suas reivindicações.

“Boicote à Copa do Mundo Fifa 2026!”, dizia uma enorme faixa no caminho para o Estádio Azteca, onde, há 40 anos, Diego Maradona marcou seu polêmico gol com “a mão de Deus” nas quartas de final entre Argentina e Inglaterra (2 a 1).

– Protestos –

Professores do ensino fundamental e médio vêm há mais de uma semana reivindicando melhorias salariais e de aposentadoria. Eles rejeitaram a proposta mais recente do governo em uma reunião na noite de quarta-feira.

Nesta quinta-feira, juntam-se a eles familiares de dezenas de milhares de desaparecidos e outros grupos.

O objetivo é convergir para o Azteca, criando um enorme caos nesta megacidade de 22 milhões de habitantes, o que pode dificultar o acesso ao estádio e levar a confrontos com a polícia.

“Esta partida é uma distração, só serve à Fifa, à Claudia Sheinbaum e aos Estados Unidos”, afirmou um professor grevista, sob condição de anonimato.

A presidente mexicana qualificou o protesto de “provocação” para que haja imagens de repressão durante a Copa. E assegurou que não cairá na armadilha.

Sheinbaum anunciou que acompanharia o torneio com “o povo” nos telões instalados no Zócalo, a praça onde está localizado o Palácio Nacional, onde torcedores começaram a chegar desde cedo.

“Vamos tentar ir, dependendo de como estiver” a situação das manifestações, disse ela nesta quinta-feira.

Além dos protestos, o problema dos vistos para entrada nos Estados Unidos também impacta o primeiro dia do torneio.

O Comitê Nacional de Torcedores da Costa do Marfim (CNSE, na sigla em francês) denunciou nesta quinta-feira que a seleção não poderá contar com a presença de seus torcedores na Copa do Mundo, uma vez que não conseguiram obter vistos americanos.

“Os Estados Unidos foram claros conosco ao dizer que não queriam ver nossos torcedores”, lamentou o presidente do organismo, Julien Kouadio Adonis.

T CSM
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