A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota de crédito da empresa de saneamento Aegea nesta terça-feira (5). A classificação passou de Ba3 para B2 -ou seja, de risco de crédito substancial para alto risco de crédito.
“O rebaixamento reflete um declínio material na flexibilidade financeira do grupo, maior alavancagem e uma percepção de enfraquecimento da governança corporativa, resultando em menor confiança na confiabilidade das informações financeiras históricas e na robustez dos controles internos”, afirma a agência em relatório.
Segundo a Moody’s, esses fatores aumentaram de forma relevante o risco de crédito da companhia, especialmente no contexto de um ciclo intenso de investimentos que restringe a geração de caixa no curto prazo.
Procurada, a Aegea não comentou até a publicação desta reportagem.
A instituição afirma que a classificação permanece em revisão para possível novo rebaixamento.
“Avaliaremos a capacidade da administração de executar um plano de ação voltado ao fortalecimento do ambiente de controles internos e à mitigação do elevado risco de governança.”
A medida vem após a empresa divulgar, no início de abril, a reapresentação dos dados de 2024 com uma baixa contábil de R$ 5 bilhões. A companhia publicou as informações após sucessivos atrasos.
Segundo o documento, o ajuste no patrimônio líquido -que representa o valor contábil da companhia, isto é, ativos menos passivos- não representa saída de caixa, mas uma “limpeza” contábil. Um dos fatores foi a reavaliação de participações e investimentos em empresas coligadas, como a Águas do Rio.
Além do patrimônio, o lucro líquido do período também recuou em R$ 593 milhões, assim como as contas a receber (R$ 643 milhões) e outras rubricas.
A empresa tem gerado desconfiança no mercado financeiro. A holding Itaúsa, acionista da companhia, informou que as mudanças no balanço de 2024 provocaram uma redução de aproximadamente R$ 700 milhões em seu patrimônio líquido.
Em fato relevante assinado por Alfredo Setubal, a Itaúsa disse ter solicitado a seus representantes na administração da empresa de saneamento um diagnóstico do ocorrido e um “plano de ação robusto” para fortalecer práticas de governança, gestão de riscos e controles internos.
“Atualmente vemos riscos relevantes de execução associados à estratégia de financiamento, que depende do acesso contínuo a fontes externas para sustentar os investimentos em andamento”, diz o relatório da Moody’s.
Apesar do cenário adverso, a companhia diz manter seus planos de comprar a Copasa, estatal mineira de saneamento que deve ser privatizada nos próximos meses, e da listagem na Bolsa de Valores (IPO, na sigla em inglês).