Investigação
Segundo Candeo, o motorista enviou mensagens suspeitas e recusou-se a sair da cabine em chamas; exame toxicológico foi solicitado
Hallan Faria Bezerra não tinha antecedentes e trabalhava há um ano e meio na empresa (Divulgação PCGO)
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Novos detalhes revelam que a tragédia com a carreta na BR-060 começou quando o motorista Hallan Faria Bezerra, 32 anos, alterou bruscamente o itinerário da viagem nesta segunda-feira (11/5). O proprietário do veículo, que acompanhava o trajeto via satélite, estranhou o silêncio do funcionário e as respostas incomuns via mensagem, chegando a suspeitar de um sequestro. De acordo com o delegado Adelson Candeo, a resistência em parar no bloqueio policial, mesmo com o veículo em chamas, é agora o ponto central do inquérito em Rio Verde.
Segundo as investigações do Grupo de Investigações de Homicídios (GIH), o motorista era considerado um homem de confiança, “sem antecedentes criminais”, que trabalhava há um ano e meio na empresa. O comportamento agressivo na rodovia e o silêncio absoluto diante das tentativas de contato do patrão são os pontos que mais intrigam as autoridades.
Candeo detalhou que o proprietário tentou estabelecer um diálogo com o funcionário assim que percebeu o desvio de rota, mas não obteve sucesso. “O dono do caminhão começa a perguntar o porquê, porque ele tem a localização do caminhão, mas o motorista não responde. E ele começa a achar estranho porque o motorista é alguém próximo”, afirmou o delegado.
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Ainda segundo o delegado, as poucas mensagens que chegaram ao patrão não pareciam ter sido escritas por Hallan. “O dono começa a dizer que vai chamar a polícia porque está achando que o motorista não é o funcionário. Que a pessoa que está conversando com ele não é homem que ele conhece”.
Ausência de ilícitos e exames laboratoriais
Uma das principais hipóteses iniciais — de que o veículo estaria sendo usado para transporte de drogas ou que teria sido roubado — foi descartada após a perícia. Não foram encontradas substâncias ilícitas na carga vinda de Minas Gerais. “O caminhão não tem carga irregular, não existe furto do caminhão, não tem droga na carreta, enfim, não existe nenhuma ilegalidade em relação a isso”, pontuou Candeo.
Para tentar entender o que causou o surto ou a mudança de comportamento de Hallan, a polícia aguarda resultados de exames periciais. “Sobre o toxicológico, eu solicitei”, confirmou o delegado, referindo-se ao exame que poderá indicar se o motorista estava sob efeito de alguma substância que justificasse a direção perigosa e a resistência em abandonar a cabine em chamas.
O cerco policial
O relatório da Companhia de Policiamento Especializado (CPE) detalha que, durante a perseguição, o motorista jogou a carreta contra as viaturas e furou bloqueios, forçando os policiais a dispararem contra os pneus. Mesmo após o início do incêndio, Hallan manteve as portas travadas. Os policiais tentaram o resgate, mas uma explosão na cabine impediu a aproximação final antes da chegada dos Bombeiros.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil para determinar a causa exata da morte e a motivação do condutor.