o julgamento do caso Henry

Via Folha de São Paulo – O quinto dia do julgamento de Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros Costa e Silva foi retomado nesta sexta-feira (29) com o depoimento do perito Luiz Carlos Leal Prestes, testemunha do Ministério Público.

Médico formado há 44 anos e perito há três décadas, ele reforçou a tese da acusação de que as lesões sofridas por Henry Borel Medeiros não foram provocadas por manobras de reanimação nem por acidente doméstico.

Ao comentar o estado em que a criança chegou ao hospital, o perito afirmou que Henry já aparentava estar morto ao dar entrada da unidade. Segundo ele, a temperatura corporal registrada na emergência, de 34°C, indicaria que a morte teria ocorrido entre duas e três horas antes da entrada de Henry no Hospital Barra D’Or.

Segundo o especialista, a laceração hepática que provocou a hemorragia interna responsável pela morte da criança ocorreu enquanto Henry ainda estava vivo.

“A hemorragia só se dá com o indivíduo vivo. Não se tem hemorragia com o sangue preenchendo a cavidade abdominal com a pessoa morta”, afirmou.

O perito declarou ainda que as lesões identificadas no corpo da criança foram produzidas de forma independente e incompatíveis com uma única queda.

“O acidente doméstico está totalmente descartado. Isso é uma coisa fantasiosa”, disse aos jurados.

De acordo com Prestes, uma queda da cama não explicaria a multiplicidade de ferimentos encontrados em diferentes partes do corpo. Ele também afirmou que Henry apresentava sinais de edema cerebral provocados por ações contundentes na cabeça.

O especialista diferenciou ainda lesões produzidas em vida daquelas causadas durante os procedimentos médicos. Segundo ele, marcas encontradas no nariz e nos lábios seriam compatíveis com tentativas de intubação realizadas durante a reanimação.

Prestes afirmou que Henry sofreu intensamente antes de morrer. “Essa criança sentiu muita dor. Essa criança sofreu muito. Essa morte foi lenta, foi agônica”, declarou.

Durante a exibição de imagens das lesões da criança, Monique deixou o plenário, por volta das 10h20, para receber atendimento médico do Tribunal de Justiça do Rio. Como ela precisava de um local para ficar deitada, a juíza autorizou a ausência dela no restante da sessão desta sexta.

O julgamento desta semana ocorre após uma primeira tentativa de júri fracassar, em março deste ano, quando os advogados de Jairinho abandonaram o plenário após terem negados pedidos relacionados a provas digitais e novas perícias.

Segundo a denúncia do Ministério Público, Henry morreu na madrugada de 8 de março de 2021, no apartamento onde morava com a mãe e Jairinho, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio.

A acusação sustenta que o ex-vereador provocou lesões fatais na criança por meio de agressões contundentes e que Monique, na condição de mãe e responsável legal, teria se omitido diante da violência sofrida pelo filho.

Até o início da tarde desta sexta-feira, o perito Luiz Carlos Leal Prestes ainda seguia sendo ouvido pelos advogados de defesa.

A previsão é que o júri ouça ainda nesta sexta o médico-legista Luiz Airton Saavedra de Paiva, assistente da acusação indicado por Leniel Borel, pai da criança.

Até o momento, 11 das 27 testemunhas previstas no julgamento já prestaram depoimento.

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