Operação da PF mira golpes com sites falsos de serviços públicos e uso de IA

A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (1º), a Operação AD Phishing, com que investiga a veiculação de sites falsos que utilizam indevidamente a imagem do governo federal e de órgãos públicos para aplicar golpes.

A investigação identificou 1.770 anúncios fraudulentos vinculados a dezenas de páginas e domínios, muitos deles com elementos visuais associados ao governo federal e a instituições públicas, além de conteúdos manipulados com uso de inteligência artificial.

São cumpridos nove mandados de busca e apreensão nos estados de Minas Gerais, Santa Catarina, Rio de Janeiro e São Paulo, expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal da Seção Judiciária do Distrito Federal.

Os investigados poderão responder pelo crime de uso indevido de selo ou sinal público verdadeiro, além de outros crimes eventualmente identificados no curso da investigações, como estelionato, associação criminosa, falsidades e lavagem de dinheiro.

Em maio, por exemplo, o Ministério da Fazenda emitiu alerta de que criminosos estavam usando indevidamente uma identidade visual parecida com a Gov.br e do programa Desenrola Brasil, de renegociação de dívidas, para aplicar golpe com o objetivo de roubar dados e cobrar taxa indevida.

A estratégia de golpe destacada pela Fazenda na ocasião usava site que simula uma notícia do governo anunciando o programa e a possibilidade de limpar o nome com descontos de até 96%. Em seguida, o usuário era convidado a “Verificar Elegibilidade” inserindo seu CPF. O site falso também prometia limpar o nome em até cinco dias úteis, com recuperação do acesso ao crédito para atrair a vítima. Também era solicitado para vítima inserir nome completo e CPF. O site fraudulento também simulava um

“Atendimento Gov.br” em formato de chat, com a cobrança de supostas taxas administrativas para fechar o acordo R$ 92,80, que não existem, pois a renegociação é gratuita.

Levantamento feito pela Jusbrasil a pedido da Folha de S.Paulo, publicado em junho, mostra que a inteligência artificial tem sido aliada de golpistas. Os casos de estelionato na Justiça de São Paulo vêm crescendo ano após ano e mais do que dobraram desde que as plataformas de IA generativa começaram a ser disponibilizadas, no fim de 2022. Entre os indícios estão o aumento da frequência de campanhas fraudulentas (a IA permite criar conteúdos em massa), o sumiço de erros ortográficos em mensagens (ela melhora os erros humanos), a atuação de quadrilhas do exterior no mercado brasileiro (deixa a tradução mais simples), o uso de deepfakes (os vídeos e áudios que simulam uma pessoa) e códigos de programação cada vez mais sofisticados.

T CSM
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