Petróleo cai mais de 3% e volta a ficar abaixo de US$ 100

Petróleo cai em meio a temores geopolíticos e de excesso de oferta
Petróleo cai em meio a temores geopolíticos e de excesso – Reprodução

O preço do petróleo teve uma queda superior a 3% nesta terça-feira (6) e teve o seu menor valor desde a última quinta-feira (1°), ficando abaixo de US$ 100, apesar de novos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a aeroportos da Arábia Saudita.

O barril Brent, referência mundial, caiu 3,22%, a US$ 97,09 (R$ 485,66), por volta das 9h45 (horário de Brasília). O contrato de dezembro já havia ficado abaixo de US$ 100 nessa segunda-feira (5) e o valor negociado nesta terça foi o menor desde quinta-feira, quando alcançou US$ 96,55.

Às 10h50, o barril era negociado a US$ 98,30 (R$ 491,72), queda de 2,01%. Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava em desvalorização de 1,52%, a US$ 88,02 (R$ 440,29).

A diminuição no preço do commodity ocorreu mesmo com novos ataques a dois aeroportos da Arábia Saudita. Na noite de segunda (no Brasil), os aeroportos de Jazan e Najran foram bombardeados, deixando três pessoas feridas, segundo a autoridade-geral de Aviação Civil do país. Os houthis assumiram a autoria dos ataques.

O grupo do Iêmen anunciou nesta terça que passou a ter o controle total do país, incluindo áreas estratégicas no Mar Vermelho. O governo do país contesta a informação e diz que retomou o domínio em parte do território, como o estreito de Bab al-Mendab, que liga o Mar Vermelho ao Oceano Índico.

“(Os houthis) mantêm controle total sobre todas as áreas conquistadas em terra”, afirmou o porta-voz militar do grupo, Yahya Saree, em post no Telegram. Não foi possível verificar de forma independente as alegações de nenhum dos lados, em uma região onde o acesso de jornalistas é difícil e os acontecimentos se desenrolam rapidamente.

Saree também afirmou que os houthis haviam realizado dezenas de ataques nas últimas horas contra forças governamentais nas regiões de Al-Jawf e Marib, além de atacar a província de Taiz. Na noite de segunda-feira, os houthis disseram ter atingido aeroportos e também uma refinaria pertencente à gigante petrolífera estatal saudita Aramco.

A guerra civil do Iêmen voltou a se intensificar após anos de relativa calmaria, abrindo uma nova frente na guerra mais ampla no Oriente Médio, iniciada com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã em fevereiro.

O conflito no Iêmen provocou uma grave crise humanitária que deixou a maior parte da população dependente de ajuda. Mais de 184 mil pessoas foram deslocadas pelos confrontos mais recentes, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas).

Enquanto os ataques dos houthis prosseguem, o Qatar afirmou que EUA e Irã ainda mantêm negociações para encerrar o conflito.

“A troca de mensagens entre as diferentes partes prossegue por intermédio do Qatar e de seus parceiros regionais”, afirmou Ibrahim Al-Hashmi, funcionário do Ministério das Relações Exteriores.

Também nesta terça-feira, o emir do Qatar, xeique Tamim bin Hamad Al Thani, reuniu-se em Doha com o ministro do Interior do Irã, Eskandar Momeni, segundo um comunicado do palácio real. Na segunda-feira, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que as negociações com os EUA eram “inúteis” e só resultavam em novos ataques, segundo a mídia estatal.

T CSM
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