O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta terça-feira (23) que o Irã aceitou “plena e completamente” permitir o retorno dos inspetores nucleares ao país e que a Marinha dos Estados Unidos deixará de bloquear o Estreito de Ormuz.
Após o acordo firmado por ambas as partes para pôr fim à guerra no Oriente Médio, Washington e Teerã negociam questões cruciais, como o futuro do programa nuclear da república islâmica.
Trump disse que as conversas técnicas, realizadas nos últimos dias na Suíça, “estão indo bem”.
“O Irã aceitou plena e completamente inspeções nucleares do mais alto nível por um longo período de tempo (!!!Infinito!!!). Isso garantirá a ‘Honestidade Nuclear’”, publicou Trump em sua plataforma Truth Social.
“Com base nisso e em outras concessões importantes que o Irã está fazendo, concordei em permitir que o Estreito de Ormuz permaneça ABERTO, sem qualquer outro bloqueio naval”, acrescentou.
Apesar disso, Trump assegurou que todos os navios da frota americana permanecerão no estreito, “caso seja necessário restabelecer o bloqueio, o que parece, neste momento, muito pouco provável”.
O trânsito pelo Estreito de Ormuz, uma via marítima vital para a exportação de petróleo e gás, tem sido um importante ponto de tensão durante a guerra iniciada no fim de fevereiro, que abalou a economia mundial.
Pouco antes da publicação dessa mensagem de Trump, o Irã afirmou que não tem intenção de permitir que a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) inspecione seus principais centros nucleares bombardeados por forças americanas e israelenses no ano passado.
A extensão exata dos danos ainda é desconhecida, e Teerã alega questões de segurança para negar acesso a essas instalações.
Questionado sobre a negativa iraniana durante uma coletiva de imprensa, o presidente dos Estados Unidos reafirmou que os inspetores da AIEA irão ao local “no momento oportuno”.
“Eles (os iranianos) estão enganados. Eles nos disseram isso em particular, e contamos com um nível de inspeções de 100%. E, se eles estivessem certos, eu cancelaria as reuniões imediatamente”, declarou.
Persistem dúvidas sobre a situação das reservas de urânio altamente enriquecido da República Islâmica do Irã, um dos principais pontos de atrito com Washington. O Irã sempre negou querer desenvolver armas nucleares, ao mesmo tempo em que se mantém inflexível quanto ao seu direito de desenvolver uma indústria nuclear civil completa.